quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Tempo em tempo

Por Nana Yamada




Tempo em tempo
Tudo vai se renovando
Tudo vai se recriando
Tudo vai se encaixando
Tudo vai acontecendo


Tempo em tempo
Deus vai desenhando
Deus vem mostrando
Deus vai guiando
Deus vem cuidando


Tempo em tempo
Tudo vai se libertando
Tudo vai se realizando
Tudo vai renascendo
Tudo vai se aperfeiçoando


Tempo em tempo
Vou chegando cada vez mais
Perto de onde eu devo estar
Vou chegando cada vez mais
Perto de você...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Guardião

Por Fabio Ramos




quem
tiver ouvidos


ouça:


ele
estendeu
uma
rosa


invisível


para
Agnes


(vale repetir)


ele
estendeu
uma


rosa


IN
VI
VEL


(...)


mas
nada


se oculta


aos
olhos


da jovem


(...)


ela
disse


ao eleito:


pois
façamos
uma
troca


eu
aceito


de bom grado


sua
rosa


se você
zelar


pelo
meu
coração


(...)


saiba
que


tal oferta


nunca
fiz


a ninguém


(...)


e
então


Guilherme


sua
resposta
é SIM


ou YES MA'AM?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Voltei

Por Denise Fernandes




voltei a cantar

talvez seja influência

do sabiá

três horas da madrugada

me ensinando

a sonhar

namorar com a certeza

escrever com o coração

costurar o vento do destino

num silêncio que fala.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

techné

Por Ana Paula Perissé




                                       à beira de cada
                                       sílaba decomposta
                                       em esconderijo de versos¨
                                       ¨vasoscavernosos
                                       há assimilação de horizontes
                                       elípticos:
                                       quando as deixo assim
                                       em abandono,
                                       à meia luz,
                                       teu olho exagera
                                       no tom.


                                       Cheiros em frases
                                       incontidas
                                       assemelham-se
                                       aos deslimites .......
                                       de tua gula


                                       luxúria parassinpática
                                       ..........sintaxe gulosa


                                       e neste morrer de´vistas
                                       há Eros
                                       esmeraldas em tábuas
                                       salvas


                                       ou
                                       apenas
                                       1´sortilégio de devires
                                       castos.

domingo, 17 de setembro de 2017

Prato raso

Por Oswaldo Antônio Begiato




o uísque triste
em riste
persiste
em não se misturar
ao guaraná magro
ao beiço amargo
ao beijo largo
à tatuagem
à imagem
à paisagem
no fundo
do prato raso
profundo
profícuo


o resto
é a companhia
amiga
do amigo
meigo
leigo de mim
para sempre


é natal
na tal infância
de bicho papão
de pão de fel
de papai do céu
de papai noel
que esquece a boina
sobre a mesa
sobremesa
e a mesa sobra
pobre e sóbria


mas a mesa
está posta
exposta
sem resposta

sábado, 16 de setembro de 2017

Sopro de primavera

Por Meriam Lazaro




Na catedral os sinos dobram ao mal de amor,
Enquanto olhos se apequenam no horizonte.
Convém dizer adeus a tantas certezas...


Se o homem cala, ouve de Deus o clamor?!
Já as flores se antecedem à primavera.
Curva-se a Terra em respeitosa beleza.


O sol inunda o rio de dourado espanto.
Voa o pássaro, sem saber de sua leveza.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Entardecer em Petrolina

Por Mayanna Velame




A viagem seria longa. Horas me separavam de Manaus, mas isso não causava receio ou impaciência. Viajar sempre é preciso...


Sobrevoando o céu do Nordeste, a aeronave aterrissou em Petrolina (para abastecer e embarcar novos passageiros). Sentada na poltrona, junto à janela, eu me sentia como mais uma viajante daquele voo, cujo destino resumia-se em levar e trazer vidas.


Após alguns minutos, a tripulação anunciou a decolagem. A meu lado, um jovem apertava o cinto e respirava fundo, na tentativa de afugentar o medo. Sem o menor indício de engatar uma conversa, concentrei-me nos movimentos do avião.


O arrebol fervilhava no horizonte: o céu, em tons dourados, lembravam resquícios de ouro; salpicados entre as nuvens. Lá embaixo, estava Petrolina  com suas casas, prédios e plantações. A ponte Presidente Dutra era semelhante a uma régua, traçando essa linha reta nas águas do rio São Francisco. Os carros transitavam de um lado para outro, seguindo seus destinos...


Como um gigante a observar o que há sobre seus pés, Petrolina rendia-se a mim, incrustada naquele lugar que pertencia somente a ela. No meu olhar, a cidade desenhava sua forma. E num inibido momento, pensei em seu sotaque, seu clima, seus costumes e nas pessoas que chegavam e partiam.


A efemeridade do instante fora capaz de ativar minhas saudações. A 36.000 pés, meus olhos já não alcançavam o local que me dera apreço. No infinito azul, as nuvens ruborizadas. Estrelas brilhantes piscavam como sinalizadores do espaço.


Ébria no balançar das frequentes turbulências, o tempo me trouxe de volta a Manaus. Até hoje me recordo daquele voo. O entardecer em Petrolina me tem como lembrança. Por alguns momentos, fomos cúmplices da solidão (que nos envolveu) e do amor. Objeto precioso na bagagem de quem precisa ir.