segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

luto

Por Ana Paula Perissé




                                       de todos os escombros
                                       restou-me
                                       1´orquídea delicada
                                       mas furiosa.


                                       de todos os restos
                                       ficou-me
                                       1´esfregaço de esperanças
                                       limítrofes.


                                       1´sombra míope
                                       de múltiplas montanhas
                                       abruptas de memórias e quedas.


                                       e 1´balada folk do Neil Young
                                       com uma lua em dor
                                       por sobre minha cama.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Poema sem nome

Por Meriam Lazaro




Principio pelas sombras,
Sem guardar do céu segredo.
Minha forma é o vazio
Pra encher de amor ou medo!
Silencio pela luz,
Que a muitos leva bem cedo...
Sem pegadas caminhei...
Anônimo, retrocedo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Crônica de aniversário

Por Mayanna Velame




Algum bloco se aproxima na esquina. Meu coração, progressivamente, entra num ritmo desenfreado. Os tambores rufam. Sobre a cama, o corpo já manifesta os primeiros sinais de cansaço. Ontem, eu me via como criança, Hoje, a vida supera três décadas de existência. A vitalidade ainda persiste, embora mais limitada.


O peso das circunstâncias é inevitável, bem como a reflexão dos fatos (que poderiam ter sido e não foram). Das reminiscências que residem, lembro-me das primeiras paixonites e, mais do que isso, resgato a esperança do amor que ainda cultivo  mesmo que seja, apenas, uma pontinha de doce ilusão.


Parece que vivemos meditando: construímos nossa memória e refletimos a respeito do que fomos e somos.


Os tambores rufam. Meus olhos, penosamente, se abrem para o mundo. Ao redor, o quarto e suas paredes. No teto, o tabique é ladeado por teias de aranha. Na minha mente, fantasias que insisto em colori-las com purpurinas e confetes.


Levanto-me morosa. Pressinto a vida passeando entre ladeiras, avenidas e alamedas. O bloco de carnaval alcança a janela do quarto. Curiosa, afasto as cortinas. Pessoas cantam, a felicidade também é hino. Muito brilho e serpentina. Os passos são executados em extrema sincronia. Gritos, sussurros, harmonia, êxtase. Rostos úmidos exibem máscaras de vulnerabilidade. Sorrisos plastificados.


Não me concentro naquilo que cantam. Minha melodia é silenciosa. Ela se apresenta apenas no calendário; exibindo minha data de aniversário. Completar anos, durante o carnaval, é um misto de melancolia e gozo. Antíteses que nos assolam...


Os foliões seguem felizes. Avançarão madrugada adentro, até serem vencidos pela fadiga. Enquanto isso, o bloco desfila, embriagado com o batuque da bateria. Meus ouvidos acompanham tudo. Por fim, o som estridente tornou-se remoto. O ruído está solto na cidade.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Sonhos & Realidade

Por Nana Yamada




Quando eu ia imaginar
Que os sonhos poderiam ocorrer?
Tão subitamente, tudo está acontecendo
Perco-me em cada sonho
E já não sei mais o que é real


Como eu ia imaginar
Que estarias perto de mim
Nesses encontros tão distantes?
Posso sentir cada batida do meu coração
Quando vejo-te em sonhos


Como eu ia comparar
Meus sonhos com a realidade
Se tudo é uma coisa só?
Se tudo realmente faz sentido?
Se tudo já foi visto antes?


E as batidas do coração
Vêm me acordar
Achando que é você sussurrando
E quando percebo
Foi só mais um sonho
Da realidade que eu vivo…

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Mauá

Por Fabio Ramos




vestir
a
cueca
do avesso?


que mal


se ninguém


além
da
esposa


verá?


(...)


ela


tão
habituada
ao


desmazelo


(...)


comer
algumas páginas
no
jantar?


que
mal há


se congestão


ou
outra
moléstia


não lhe causar?


(...)


A DIVINA
COMÉDIA


(foi o prato principal)


e
DOM
QUIXOTE


(a sobremesa)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Cultura é melhor que dinheiro

Por Denise Fernandes




Muitas vezes, sinto uma preguiça ancestral. Vencendo tal disposição, saí de casa com uma pequena pilha de livros. Quis doar o material aos operários de uma obra, aqui perto de casa. Um dos trabalhadores me recebeu com um maravilhoso sorriso.

"Foi Deus quem mandou você aqui. Eu tava acabando de falar, cultura é melhor que dinheiro".

Essa ideia de distribuir livro aos funcionários da construção civil vem de um trabalho que realizei há vinte anos. Mas, naquela época, o intuito era constituir uma biblioteca. Agora, com a doação, cabe a eles definir o destino daquelas obras. É o mistério do livro, nas mãos de quem labuta.

Duas décadas atrás, a maioria dos operários só tinha um livro em casa: a Bíblia. Para alguns, tavez, baste uma única obra. Essa realidade não deve ter mudado (e nem o analfabetismo diminuiu). Lembro de um texto do Borges, onde o mundo era visto como uma imensa biblioteca.

Estou doando meus livros. São livros lidos. Livros que trazem mais ácaros na estante da memória  e menos saúde, menos amor.

Claro que já sonhei em possuir todas as obras que li. Obras que retirei na biblioteca da USP, obras que li emprestadas. Na maioria das vezes, quando vemos um intelectual na televisão, ele aparece cercado por uma estante de livros. Com essa estante lotada, me gabaria do que sei. Mas é tão maior o que não sei...

Estudar só me faz descobrir o quanto sou burra.

Os livros são como pássaros. Aprisionados na estante, estáticos, sem o amor de quem os veja e os revele. Até por amor ao papel, a letra (enigma na mão do analfabeto) brilha.

Outro dia, também doei algumas obras à biblioteca pública. Tanto a funcionária que me recebeu, quanto a pessoa responsável pelo espaço, deram "pulinhos" de alegria.

Doe seus livros, doe-se. A vida passa tão depressa, e as estantes não são tão importantes assim.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

ser-me, ainda

Por Ana Paula Perissé




                              à procura de
                                    SER
                              nunca serei
                              desfaço-me de mim
                              para breve retorno
                              imemorial


                              adivinhem!


                              Cá estamos
                              NÒS
                              na imensa distância
                              de
                              SERMOS
                              algo


                              viventes
                              pleno de húmus
                              vida em escarlate esmaecida¨
                              " dívida que está
                              em impossíveis encontros
                              amados.


                              ( Sou-me.
                              Falta-me tanto que ainda sou.
                              Falta tanto do outro que ainda o procuro)