quarta-feira, 13 de julho de 2011

John Lennon e Raul Seixas – Parte 2 de 3

Por Fabio Ramos


As vidas pessoais de Lennon e Raul sempre renderam inúmeras controvérsias. Em junho de 1962, John soube que Cynthia Powell – sua namorada – estava grávida. Os dois casam-se em agosto do mesmo ano (para desespero das fãs histéricas) e Julian nasce em abril de 1963. A ausência de Lennon era uma constante, pois ele vivia ocupado com os compromissos da banda. Logo após visitar a esposa e o filho recém-nascido no hospital de Liverpool, John tira férias e segue para a Espanha; acompanhado de Brian Epstein. Ele admitiria, anos mais tarde, ter tratado Julian da mesma forma que seu pai o tratou no passado. Lennon conhece a artista plástica Yoko Ono em 1966, durante uma exposição dela em Londres. Nascia ali uma amizade que virou romance em 1968 – apesar de ambos estarem casados na época. Cynthia descobre o adultério e pede divórcio.

O casamento com Yoko acontece no ano seguinte, em Gibraltar, para quem o então beatle compõe “The Ballad of John and Yoko” e “Don’t Let Me Down”. O casal não se separava nem mesmo nos ensaios dos Beatles (os palpites de Yoko deixavam Paul bastante irritado). Grande parte dos beatlemaníacos ainda hoje a culpa pelo fim do grupo. Reza a lenda que a sugestão para Lennon abandonar a banda partiu dela. Em 1971, os dois estabelecem residência em Nova York e enfrentam diversos problemas com a imigração americana – e até com o FBI, que não via com bons olhos as manifestações pacifistas da dupla. Para surpresa de todos, John separa-se de Yoko em outubro de 1973; mudando-se para Los Angeles. Eles passam 15 meses separados. O relacionamento é reatado em 1975 e a japonesa engravida mais uma vez de Lennon (sendo que, anteriormente, Yoko sofrera dois abortos).

John relega a carreira artística a um segundo plano. Sean, seu segundo filho, nasce em 09 de outubro de 1975 – mesmo dia em que Lennon completava seu 35º aniversário. Embora sem herdar o talento do pai, as duas crias do ex-beatle também enveredaram pela música. Curiosidade: Sean adora os Mutantes (a arte gráfica do álbum “Technicolor”, lançado em 1999, é de sua autoria). Quando se apresentou no Rio de Janeiro, durante o Free Jazz Festival de 2000, Sean convidou Arnaldo Baptista para uma canja em seu show. Julian, por sua vez, fez uma ponta como garçom no filme “Despedida em Las Vegas”, com Nicolas Cage. É assustadora a semelhança física entre ele e Lennon. A propósito, vocês já repararam como John é idêntico ao cangaceiro Lampião, com seus óculos redondos e nariz torto?

Há quem diga que Raul nunca amou outra mulher da mesma maneira que a americana Edith Weisner, sua primeira esposa. Filha de um pastor protestante, ela conheceu Raulzito em 1966. Como os pais religiosos da garota eram contra o namoro, o baiano teve que entrar na linha: ele concordou em dissolver os Panteras e fez supletivo para concluir seus estudos. Passando no vestibular da Faculdade de Direito, Raul casou-se com Edith em 1967. Simone, sua primogênita, nasceria três anos depois. O matrimônio durou até 1974, quando Edith partiu repentinamente para os EUA – levando Simone junto. É provável que ela tenha descoberto o romance do marido com Gloria Vaquer, a irmã americana de Jay Vaquer (um guitarrista que Raulzito conheceu nos tempos da CBS); mas o fato é que, pouco antes de se separarem, ele já vinha abusando do uso de bebidas alcoólicas.

O casamento com Gloria ocorreu em 1975. Raul se tornaria pai novamente em junho do ano seguinte, com o nascimento de Scarlet. Vendo a mesma história se repetir, ele é afastado de mais uma filha quando Gloria retorna à América em 1977 – após o fim do relacionamento entre os dois. Raulzito ainda conviveu com Tânia Menna Barreto (na segunda metade dos anos 70) e com Ângela Costa (mais conhecida como Kika Seixas, entre 1979 e 1984). Kika é a mãe de Vivian, a terceira cria do Maluco Beleza, nascida em maio de 1981. Nos últimos anos, ele também teve um breve romance com a jornalista Helena Coutinho; para quem escreveria a debochada “Você Roubou Meu Videocassete” – canção do LP “A Panela do Diabo”, lançado com o parceiro Marcelo Nova em 1989.

O sonho de Raul era ter um filho homem. Segundo o próprio, um certo “problema de genes” o impossibilitava de ser pai de uma criança do sexo masculino. Por essa razão, ele declarou em entrevistas sua intenção de adotar um menino (fato este que, na realidade, nunca se concretizou). Das três filhas, a única que tem uma relação direta com o meio musical é a caçula Vivian, que atualmente é DJ. Simone trabalha como bióloga e Scarlet é dona de casa.

A literatura e o cinema fizeram parte da vida de ambos. Em pleno auge da Beatlemania, John escreveu dois livros: o primeiro, publicado em 1964, chama-se “In His Own Write” e o segundo, lançado um ano depois, foi batizado de “A Spaniard in the Works”. Essas duas obras foram compiladas em um único volume para a edição brasileira; traduzidas pelo poeta Paulo Leminski e publicadas pela Brasiliense com o título de “Um Atrapalho no Trabalho”. Raulzito herdou do pai o gosto pela literatura e, ainda na infância, ficou fascinado com “Dom Quixote de la Mancha”, “O Tesouro da Juventude” e “O Livro dos Porquês”. O roqueiro baiano publicou o seu “As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor”, pela Shogun Editora, em 1983. A companhia pertencia ao antigo parceiro Paulo Coelho que, naqueles dias, nem pensava em ser o escritor brasileiro mais vendido no mundo.

Na terceira e última parte da saga, confira o interesse de John Lennon e Raul Seixas pelo cinema, a similaridade musical e o interesse de ambos pelas sociedades utópicas. Aguarde!

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