domingo, 9 de fevereiro de 2014

Meu pai, meu poeta!

Por Oswaldo Antônio Begiato
 
 


     Meu pai foi poeta sem nunca ter escrito um único verso.
     Poeta do amor mais puro e profundo que já vi.

     No dia em que completei trinta anos
     mandou buscar para minha mãe a orquídea mais bonita de Jundiaí.
     O cartão dizia que há trinta anos ela o tinha feito, pela primeira vez,
     o homem mais feliz do mundo
     (sou o primeiro filho deles).
     Minha mãe disse com todo encanto do mundo:
     - Como você é bobo, Milton! E riram um riso casto.

     Minha irmã caçula, depois de onze outros partos de minha mãe,
     nasceu no dia nove de maio de mil novecentos e setenta e um
     (dia das Mães, naquele ano).

     Meu pai deu a ela o mesmo nome de minha mãe Regina – Rainha.
     Quando chegou com a certidão de nascimento em casa
     minha mãe com o mesmo encanto de sempre disse:
     - Como você é bobo, Milton! E riram um riso casto.

     Quando estou muito triste gosto de imaginar
     o quanto de poesia ele fez entre o primogênito e a caçula deles. E rio. Apenas rio.

     Com eles aprendi que poetas são bobos.

 

4 comentários :

  1. os poetas são bobos
    imaginam e voam
    surpreendem

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  2. Poetas têm o dom de deliciar as pessoas com palavras mágicas e de candura ímpares. Parabéns...seus pais eram especiais!

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