segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Despropósito

Por Ana Paula Perissé


 
 
                                     da distância que tomo
                                     do estalido de urgências
                                     um relampejar do inútil
                                     persegue-me
                                     Ah! que maravilha


                                     ando tão farta da praticidade
                                     que move as garras de Chronos
                                     em busca da ação (tele)apática
                                     sem sangue rubro
                                     vertido quente
                                     em minha pele
                                     vaga


                                     (entranhas sem propósito
                                     chances do acaso
                                     e da delicia formosa)


                                     Caos-me
                                     remanescente ainda
                                     a gerar luz fosca.


                                     Um dia,
                                     encontrei-me com o nada
                                     e ele tem voz macia e magra
                                     sedutora mas vesga


                                     Despropósito.

domingo, 30 de agosto de 2015

Viagem

Por Oswaldo Antônio Begiato




Que praias selvagens são essas
onde tuas curvas ostentam
despudores?


Que matas virgens são essas
onde tuas vergonhas delatam
indiscrições?


Que desertos abismáticos são esses
onde meus destinos se precipitam
suicidamente?


Que montanhas íngremes são essas
onde minhas mãos serpenteiam
cheias de malícia?


Que lugares fascinantes são esses
delicadamente tatuados em teu corpo
amorenado?


Onde ficam esses lugares inóspitos?
Eu preciso, mulher, conhecê-los
urgentemente!

sábado, 29 de agosto de 2015

Som na Caixa

Por Meriam Lazaro




Sentada no tapete, Meredith vê a avó embalar os presentes para o aniversário de outro neto. Começam as perguntas, infinitas naquela idade, mas que cessarão um dia sem que ninguém saiba porquê.
Vovó, tudo pode ser embalado?
Como assim? Tudo que está nesta sala pode ser embalado.
Meredith, processa com olhos arregalados tudo que tem na sala: o tapete, a poltrona, o sofá, as almofadas, a mesa de centro e a estante com coisas.
Não conformada, pois criança nunca se conforma com a primeira resposta, volta ao ataque:
Mas vovó, a porta, as janelas, as lâmpadas, as paredes... Tudo, tudo?
Sim. Só que para embalar as paredes, a casa precisaria ser quebrada.
Meredith confirma com um longo hum... e pensa em voz alta:
Então até nós podemos ser embaladas. Que nem o gato da Melanie, que virou roseira depois que foi colocado numa caixa de sapato e enterrado no jardim!
Isso mesmo, minha filha. Respondeu a avó, para quem todos os descendentes são filhos, até os filhos dos filhos.
Passou-se um tempinho e mais um presente ganhou laço, com o dedo indicador de Meredith apoiando a fita, antes da próxima pergunta.
Vovó, com todo respeito, tudo, tudo pode ser embalado? Mas tudo, tudo mesmo?
Sim. Tudo pode ser embalado hoje em dia. Lembra-se de quando você era pequena e tinha uma bombinha que colocava na boca para respirar melhor? Pois bem, aquilo era uma espécie de ar embalado. Pegue aquele baú de cima da cômoda e traga pra vovó!
Meredith, que achava um privilégio entrar no quarto da avó, foi correndo. Dentro da caixa havia várias caixas menores. Uma de papelão dobrado com doze palitos de fósforos. Uma caixinha redonda tinha pó com um pompom para se empoar (assim a vovó falava). Uma caixinha com um frasco de perfume. Havia também a caixinha em formato de coração que numa ocasião muito rara Meredith segurou na mão e agora estava sendo aberta pela vovó. Da caixinha de coração saia um melodia chata, daquelas que se aprendia na aula de música, mas que enchia de lágrimas os olhos de Dona Guíta, avó de Meredith, de quem até o nome era antigo.
Ouviu até o fim, com afeição e respeito, a história contada sobre aquele presente dado pelo finado avô Francilino, quando ouviu um pequeno estrondo, que deu ideia à próxima pergunta:
Vovó, desculpe perguntar de novo, mas tudo, tudo mesmo pode ser guardado numa caixa?
Sim. Minha filha. Tudo que você imaginar. Está vendo ali na parede aqueles dois quadros? Na verdade são duas caixas de som que aumentam a voz que sai da televisão para que a vovó possa escutar. Que nem o “J Jay” que foi contratado para o aniversário. Se você pudesse escolher um som para embalar e dar de presente ao seu mano, o que seria?
Meredith, encabulada, mas vencida pela sinceridade, falou:
Uma caixa de "pum". Mas sem cheiro. Só o som na caixa!

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Malogrado

Por Mayanna Velame




Sim, um dia a gente cansa. A gente cansa de ser bonzinho. A gente cansa de ir atrás daqueles que nos desprezam.


Um dia, nosso coração aprende a ser duro e rochoso. Um dia, nossa alma se torna fria, calculista, racional.


Amar é sempre um risco. Hoje somos amados mas, amanhã, não se sabe. Incógnita perfeita. Os sentimentos, quando oscilam, demonstram insegurança. Areias levadas pelo vento...


É exatamente aí que o coração sofre, padece. Perder um grande amor é perder um pedaço da gente. É perder um pouco da esperança. É esborrachar-se no chão.


Mas a vida, cedo ou tarde, se reconstrói. Algum dia, os fragmentos se juntam e voltam a formar um novo coração; que será capaz de amar novamente. Enquanto isso não acontece, reconhecemos: o amor tem dessas coisas.


Com o tempo, não seremos mais novidade para quem amamos. Viraremos rotina. O encanto vai se desfazer. O telefonema, no final do dia, não fará tanta falta. As mensagens e declarações não receberão mais pontos de exclamação. Serão respondidas em monossílabos secos.


O monólogo amoroso se inicia assim. O “Te amo” é apenas um grito, perdido no labirinto do coração.


Sentimentos vêm e vão. São pássaros que, timidamente, pousam em nosso ninho. Fazem morada por um momento e depois voam. Quem sabe, numa próxima estação, eles retornam.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Curdistão

Por Daniella Caruso Gandra
 
 
 
 
Ser ou não ser, eis curdistão.
De xiitas e sunitas
São a pólvora geográfica
Em meio a Síria, Armênia, Irã, Iraque e Turquia
Com seu PKK trazem a sua força
Enquanto o Estado Islâmico traz à tona a forca
E a muitos detona, ao som da guerrilha livre, pesada e solta
Salve os sem estado, nada animados
Que como os sem floresta, temem ultrapassar a cerca
Só que esta bem mais severa, aumentando a espera
Pelo direito à terra.
 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

História dos Dinossauros (Naquele Tempo)

Por Denise Fernandes




                                                                                         (Para Alejandrinho)

A Força dos meus antepassados vem dos dinossauros queridos e dos mamíferos que estavam aqui, antes da Idade do Gêllo. Nós já estávamos aqui, sobrevivemos à Idade do Gêllo, porque o Grande Mystério da Vida está guardado dentro de Nós.

É como um plano que temos, e mantemos. O meu plano de vida é a paz mundial.

Os símbolos * não existiam naquele Tempo. Símbolo é algo que se imagina ter uma força super-humana, espiritual.

Havia preguiças gigantes no Brasil, que nos ajudavam a viver. Não havia tubarões naquele Tempo.

O mar era Azul nesse Tempo, depois virava roxo.

A Terra tremia, de vez em quando, mas nesse Tempo, isso não nos dava Medo. Naquele Tempo, a gente não tinha tempo para ter Medo. O Sol nos aquecia. A Lua iluminava nossas Noites. Não havia assombrações, nem força bruta, naquele Tempo. Não havia desertos, nem solidão, naquele Tempo. Quando a gente sentia dor, tinha o direito de gritar, de chorar.

Naquele Tempo, era diferente! A gente não mentia. Ninguém precisava ser castigado. A Lua nos protegia. O Mundo era transparente!

As pedras, que pisamos agora, eram os dinossauros de ontem!!

Os pássaros nos alimentavam. Não precisávamos fazer força para respirar. Não havia polícia. Tudo acontecia Naturalmente!

Os mamíferos comiam de nossas mãos, incluindo os leões e os elefantes. Naquele Tempo, existiam elefantes e leões no Brasil, muitos animais mesmo, todos soltos.

Até os grandes dinossauros eram nossos Amigos de verdade. Pois naquele Tempo, nós éramos realmente homens, mulheres, e crianças inocentes. Não havia televisão, com tanta informação. Nós não nos preocupávamos com o Tempo do relógio, ou da idade. Nós só deixávamos a vida rolar...

Existem dinossauros como pedras em São Tomé das Letras. Também em Curitiba existiram preguiças gigantes, não só na região do rio Amazonas!!

Havia muitas aves gigantes naquele Tempo, mas a gente não precisava decorar todos os nomes das aves, comprar brinquedinhos com o nome delas, para aprender com elas, para voar na Imaginação!

Recordando esse Tempo, a gente percebe que não precisa fazer compras o tempo todo para ser feliz, para ter prazer na Vida!

O grande Mystério da Vida nos ensina a observar, e sempre, sempre aprender!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

pneu

Por Ana Paula Perissé


 
 
                                     e foi quando
                                     saí de mim
                                     que 1´cantar de pneu
                                     acordou-me
                                     de brisa paralisada
                                     por tantas
                                     esquinas dissonantes


                                     algozes fantasmas
                                     que ainda se espantam
                                     por tanto amor
                                     a rondar 2´almas


                                     ( confissão)


                                     e quem sabe mais uma cantoria
                                     sem frescura ou
                                     dissabor
                                     choro de alegria ou
                                     canto de euforia
                                     um quentor a abrasar
                                     tanto
                                     veemente amor



                                     (belíssimo
                                     no que me reverbera
                                     cada traço teu
                                     de dor
                                      de alegria)

domingo, 23 de agosto de 2015

Ao pó

Por Oswaldo Antônio Begiato




Água, leite; líquidos...
Seio vital, solo ancestral.
Volta à terra... Lânguidos.

sábado, 22 de agosto de 2015

The End

Por Meriam Lazaro




As palavras foram embora. Lembro-me ainda quando vieram em frases quebradas, rimas metidas a versos. Uma profusão a ser dita, pouco importando o instrumento. Primeiro papel: diários, frases, sonhos e tudo mais se misturavam aos desenhos e colagens de figuras, tecidos, coisas sem importância. Depois, pingavam rápidas na tela proferidas por boca invisível. Uma aqui outra ali veio a escassez diante do prolixo novo mundo. O branco preferível ao dígito. Com o silêncio veio o ponto. Em relevo ou alinhavo crescem hastes, margaridas, floreiras em rococó, grilhão português... No tecido há cruz e sombra.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Um vento manso

Por Mayanna Velame



Imagem: Alex Colville


Um vento manso
Repousa no teu olhar.
Sacode as folhas, mudando
tudo de lugar.


Um vento manso
Beija teu olhar.
De Leste ao Oeste,
Do Norte ao Sul.


Faz teu pequeno navio
Velejar...ar...ar...ar...

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

In atividade

Por Daniella Caruso Gandra




                                       O sono
                                           Vem,
                                            Tenta,
                                             O pensamento fragmenta,
                                              O horizonte se propõe às pálpebras,
                                               E o respirar diminui as notas.
 

                                        O corpo
                                           Toma o leito,
                                              Pauseia anseios,
                                               Rememora histórias,
                                               E sorri ou chora.
 

                                        E o despertar
                                              Não desperdiça
                                                a chance
                                                  de se reinventar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Matizes da Nação

Por Fabio Ramos

 
 
 
sinal verde
para
a
mudança:


o
povo
nas ruas
veste amarelo


(...)


azul do mar
simboliza harmonia


branco
da
paz
também sugere
libertação


(mas)


com ódio
estão
os
desgovernantes


que
(encastelados)
ouvem
:


"a nossa bandeira
jamais
será vermelha"
 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Sobrenome

Por Denise Fernandes




Quando eu era criança, achava estranho: por que ficar só com o sobrenome do pai? O certo seria possuir o sobrenome dos dois. Porque é assim, dizia minha mãe. É assim e pronto. Mas eu continuava achando estranho.

Meu pai falava, com voz de autoridade: o que importa é a pessoa, não o sobrenome. Eu achava complexo como meu pai sabia algo da pessoa pelo sobrenome. Dizia: é judeu; ou é de uma família tradicional de latifundiários. Ele disse que um dia eu também saberia, que era só ler os jornais. Era difícil, na infância, entender porque o sobrenome era e não era importante.

Minha ideia era não casar, e nunca alterar meu nome. Mas o amor, uma gravidez, e uma sogra boazinha e católica contribuíram para uma mudança geral nos meus planos de vida. De repente, eu entrava na igreja, vestida de branco, e jurava bem mais que amor diante de todos e de Deus. O pai da minha filha, no altar, com medo que eu não fosse – pois ele também era meu amigo, e sabia que não estava sendo fácil para mim. Mas ele não sabia que, independente das juras católicas, eu jamais o deixaria na mão. Isso ele conquistou comigo, cantando para mim: “E no seu íntimo, nunca me faça mal”.

Estávamos casando no civil, e minha mãe me cutucou: seu noivo está triste porque você não pôs o sobrenome dele no seu nome. Imagina, mãe, a gente não acredita nessas coisas. Perguntei a ele: por acaso, você está triste porque eu não estou pondo seu sobrenome? Bem simples e bem triste, ele respondeu: sim, estou triste por isso, sim. Eu disse, tá, moço, dá para mudar, põe o sobrenome dele no meu nome, põe, muda aí. O moço me olhou, com cara de tédio e ódio. Dá para mudar, mas tinha que ter dito antes. E, assim, mudei de sobrenome. Mas demorei a atualizar os documentos, e meu marido reclamava: você não me assume. Depois dizem que as mulheres é que são dramáticas. Acho os homens mais dramáticos.

Depois que nos separamos, eu não queria tirar o sobrenome dele (por razões profissionais e burocráticas). Mudar tudo de novo? Muita gente me chamava de Denise Marsiglia e, aí, não quis tirar. Mas as repetidas brigas, e o sobrenome em questão, me fizeram ir desapegando. Não só do sobrenome me desapeguei. Em algum lugar, depois dos quarenta anos, me desapeguei de tudo e de todos. Feliz ou infelizmente.

Embora sejamos amigos, só descobri que não tinha o sobrenome do meu ex-marido no Poupatempo, enquanto tirava outra vez meus documentos, após um assalto. Não acreditei que ele tomou aquela atitude sem me dar um telefonema avisando. Podia ser até por e-mail. Mas não dizer nada? Numa boa, pode enfiar seu sobrenome onde você está pensando, se você acha que ele é tão importante assim.

Tive um amigo que pertencia a uma família tradicional de São Paulo. Seus parentes tiveram muitas terras, no tempo do café. Ao sobrenome importante da mãe, unira-se o sobrenome um pouco menos importante do pai. Como era “chique”, ele fazia questão de ir a lugares “badalados”, para legitimar sua importância. Narciso acha feio o que não é espelho. Ainda há tanta incapacidade de amar no ser humano, que tudo revela essa falta. Até o sobrenome.

O lado mais poético do sobrenome vem da minha infância. Eu brincava de rádio com a minha vitrola portátil, que ganhei no Natal de 1975. De manhã, escrevia as cartas dos meus ouvintes, com cuidado especial no nome e sobrenome. Uma personalidade por trás de cada denominação. Uma alma já trazia a carta consigo, enquanto eu flutuava na minha imaginação. À tarde, a rádio entrava no ar. Além dos milhares de ouvintes imaginários, meus dois irmãos eram ouvintes reais. Eles ouviam por cinco minutos e saíam correndo. Eu usava o pompom da cortina de microfone, e dedicava as músicas; como as cartas com nome e sobrenome pediam.

Durante anos, treinei uma assinatura que jamais usei. Sorrisos dizem mais de uma pessoa do que nome e sobrenome.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

por um amor mais insincero

Por Ana Paula Perissé


Imagem: Ana Paula Perissé

 
                                         sou-me
                                         toda
                                         esta tarde
                                         por entre véus e velas
                                         aquela que te acende
                                         no mais sublime da alma
                                         a tentação de um corpo
                                         limítrofe



                                         deixa-me ser
                                         tua
                                         com a nudez mais insincera
                                         possível
                                         porque vinda de nós
                                         é muito mais alma
                                         do que tal torpeza
                                         de mundana moral



                                         deixa-me
                                         ser tua
                                         por inteiro
                                         e só.

                                         insincera-mos
                                         insensados
                                         demais



                                         ( diálogo entre almas)

domingo, 16 de agosto de 2015

Para Ana Paula Perissé, Poeta

Por Oswaldo Antônio Begiato




o Rio ao fundo
o fundo do rio
rio do amor presente
choro a saudade a fundo
e me afundo no rio
de meus encantos tantos


ela, saudade viva,
se esconde no Rio
ele, o Rio, se esconde
atrás do Corcovado:
– Coração, para onde vou?


eu conde por um dia
me faço quarta-feira
das cinzas a fantasia
só para desfilar
(ou seria amar?)
sem eira nem beira
profundamente atado


à suas avenidas carnais
à suas poesias abissais

sábado, 15 de agosto de 2015

Amigos e amigos

Por Meriam Lazaro
 

Imagem: Meriam Lazaro

 
Quando se fala de amigos é unânime o sentimento de que estamos falando da dádiva do encontro de pessoas afins. Assim falou Vinícius de Moraes, assim pensaram os antigos filósofos. Gostamos de ser lembrados como somos amigos maravilhosos, leais, etc. e retribuímos os mimos com igual entusiasmo. Para esse fim, até foi criado um dia comemorativo: 20 de julho, o dia do amigo. Quando temos amigos anjos, ganhamos asas em sua companhia. Contudo, hoje quero falar do amigo “mala”, que surge sem avisar, se abanca na sala, abre a geladeira e quer conversa que dure quando estamos pra lá de ocupados ou então quer por que quer nos arrastar para a rua. Isto sem falar que aponta nossos defeitos (não que a gente tenha algum!). Pu-ra-in-ve-ja. Esse já dobrou o limite da amizade e já se tornou irmão. Não desiste de nós quando sumimos de vista, nos isolamos por opção de "solitude". Sabe, apesar das desavenças, que criamos laços que não se dissolvem pela distância ou circunstâncias. O fato de termos nós, ou terem eles, pisado na bola não desfaz o carinho, o respeito, as memórias de outros dias. Aí, quando a aura de serafins nos cai da testa, pode haver um longo silêncio em que estaremos aprendendo a ser humanos, descobrindo em nós limites. Coisa que com a globalização está se perdendo, embora meu pitaco seja de que necessitamos todos de limites para vivermos melhor nossos papeis e não invadirmos o quadrado do outro. Depois disso vem presente maior: o reencontro!