terça-feira, 4 de agosto de 2015

Você

Por Denise Fernandes
 
 


O que acho de você?
 
Esse é o tipo de pergunta que não gosto de responder.
 
Mas, pois bem, posso tentar (numa forma poética):
 
te amo e não te amo.
 
O que mais gosto de você
 
é que não me escutas.
 
Lá, dentro de mim, fica falando uma voz
 
que não ouves.
 
Tens uns olhos expressivos:
 
nem sei se de morte, ou, de bebê chorando.
 
E quando te escuto, tua voz me dói.




Tem hora que és de manhã,
 
sol, girassol, tens tanta alegria
 
(me acolhe)
 
Tem hora que és inverno, noite,
 
tanta agonia.
 
O que acho de você, não acho.
 
E se, a toda hora, te invento.
 
Se me perguntas, e falo de ti,
 
ou do que percebo de ti
 
ou de mim
 
e quase que berro, falando de mim
 
no espelho-inferno:
 
és falsa, és falsa,
 
ó santa criatura invernal.
 

Um comentário :

  1. Essa forma de tratamento é tão abundante em sentidos, e no seu texto poético figura entre a própria visão que se tem de si mesmo ao tentar enxergar o outro. Adorei!

    ResponderExcluir