quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Âmago

Por Daniella Caruso Gandra




Assim como o mistério que há na noite, na luz que vem de sua escuridão, da lua que escolhe um ponto da rua pra iluminar, e de um suave ruído que o silêncio vem quebrar, é o mar em mim sem aportar. 


Jeito que destila ânsias, feito resina, se fixa sem se debater, no meu peito a temperatura se adita a romper estados pantanosos tão comuns em meu ser. 


Sem perceber, quase como um filete que a inércia vem mover, me desfibrila e reverte o quadro de pintura íntima ainda inacabada de mim. 


Taciturnamente, gesticulo o nascer das palavras que instantaneamente meu coração exorta na medida em que o tempo desembarca no meu rito de passagem nada popular. 


E aí, quero dizer, daqui, meu espírito, sem qualquer desvelo, nem traçamento, transpõe a minha razão, superando toda ilusão.

2 comentários :

  1. E as tuas palavras, mansamente visitaram meu âmago. Abraços poéticos!

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  2. Que bom! Feliz em saber, obrigada.
    Outros abraços poéticos para você.

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