quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Cigana (Diálogos internos)

Por Emanuela Samara



Colocou as cartas na mesa
Pensa que me engana?
Com essa beleza
Embebida de aspereza?
Embriagada de tristeza?
Que proeza!



Vi quando a morte sentou ao teu lado e
Tentou a tua vida
Você andava em círculos no tempo.
Te vi presa dentro de si mesma



Mas, no tempo certo,
Um sino tocou
E você se rasgou
Toda tranquilidade
Transformou-se em intensidade.



Vi suas vísceras
Tilintarem de dor
Foram longos dias de choro e pavor



Sua parte mais íntima fôra tocada
E escancarou-se
O desencontro consigo mesma



Após longos dias
Cigana encontrou a fogueira
E se pôs a dançar
Cantar
Sem pensar em parar



O gesto espontâneo
Se configurou
E cigana
Se empoderou
Daquilo que não sabia SER
Daquilo que queria SER
De tudo o que podia SE tornar
Uma passarinha a voar.


Emanuela Samara é psicóloga e amante da arte e da poesia. Gosta de SER por meio da relação ardente com as palavras. Edita a página "Diário de Uma Poeta - Diálogos Internos" no Facebook.

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