domingo, 20 de agosto de 2017

Desdém

Por Oswaldo Antônio Begiato




Se em vez de ter nascido fardo
Pudesse escolher nascer canção,
Gostaria de ter nascido fado,
Pra ti composto.


Se em vez de ter crescido pranto
Pudesse escolher crescer dança,
Gostaria de ter crescido tango,
Bem a teu gosto.


Se em vez de ter morrido cedo
Pudesse escolher morrer velho,
Gostaria de ter morrido quedo,
Pra teu desgosto.

sábado, 19 de agosto de 2017

À beira do lago em flor

Por Meriam Lazaro




Quando o sol dourar as rugas
Alvissareiras das águas,
Por entre os galhos dolentes,
Que cobrem o lago no inverno,
Sombras de um amor eterno
 Ontem cisnes, hoje barcos 

Deslizarão lado a lado...

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Baralho

Por Mayanna Velame




Ele Rei
Ela Rainha.
Embaralhado, apaixonou-se
Pela Dama de Copas.
Entre dois amores,
Restaria sua última cartada.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Não te esqueço

Por Nana Yamada




Queria olhar para as estrelas e escrever o nosso amor.
Poder sentir, na brisa da noite, seu perfume.
Com o vento levando a minha alma,
Poder ouvir seus passos e sentir seu abraço.
Deitar na rede, sentir o frescor noturno.
O silêncio da noite transforma sua voz.
Me dizendo coisas, me fazendo parar de pensar,
Pensar apenas nesse momento mágico.
Palavras ardentes, que fazem meu corpo queimar.
Lábios que fazem esquecer todas as coisas.
Sentindo suas mãos tocarem meu corpo nu.
Dois corpos em uma única alma, nós sentimos a paixão.
Você, no comando, podia ver as estrelas;
Tocar as nuvens e sentir o paraíso.
Instante com um fim inaceitável:
Sentimento de tristeza, por não ter mais essa sensação.
Paixão ardente, loucamente louca, com razão.
Não te esqueço jamais.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Não mordeu

Por Fabio Ramos




quem vê


por
fora


saliva


e hoje
foi


o dia


(...)


sua
chance
de saborear


v
o
c
ê


deixou
pra


(...)


e ficou
na
boca


esse gosto


do
sonho


que matou


a
fome


das convictas

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Aqui

Por Denise Fernandes




Diante

dos meus pequenos demônios

pareço menor ainda

a alegria brota verde tenra

tento esquecer minhas culpas

nesse tsunami de escolhas

e pensamentos ácidos

aqui não é o país do carnaval

e da umbanda

​chovem silêncios e vontades

o ano todo

sem fantasias

sem trabalhos na encruzilhada

ventam ideias e sentimentos.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

confessional

Por Ana Paula Perissé




                                          venha
                                          como se fosse
                                          ontem
                                          vou te dizer sobre
                                          todos meus erros
                                          e te pedir
                                          perdão
                                          como se fosse
                                          hoje;


                                          (já sem tempo
                                          que vagueio
                                          em investidas
                                          sãs.)


                                          a espera é quase inimiga:
                                          pulsam meses e anos.


                                          sobrevivência&exílio.

domingo, 13 de agosto de 2017

sábado, 12 de agosto de 2017

Asas

Por Meriam Lazaro




Minha asa é azul.
Risca o ar, vai além,
Mira e acende o néon.


Dos olhos do pássaro,
Que o canto serena,
Dá berço ao cansaço.


Bate, bate asa pequena,
Sobe estrelas, tão miúda.
Singra a madrugada e traz
Da aurora azulínea
Purpurinas de sol.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Crônica filial

Por Mayanna Velame




Pai, ainda lembro do dia em que você foi embora de casa. Sim, eu ainda me lembro, embora esta lembrança já esteja um pouco embaçada na mente, feito chuviscos numa janela em noites úmidas.


Pai, você não saiu para comprar cigarro ou cerveja. Você se foi porque, talvez, tua casa já não significasse aquilo que precisavas para ser feliz. É pai, você procurava o mundo e suas tentações. A vida é uma aventura, fato que tu vivenciaste precocemente. Aos treze anos de idade, o senhor já era da rua, das esquinas, do vazio de sua própria solidão.


Mas pai, veja bem...Você também me deixou só. No ápice da minha adolescência, te vi partir sem ao menos me lançar alguns retalhos, como pegadas, para que eu pudesse segui-lo. Neste meu desamparo, pensava em você, nas tuas escolhas e também nas tuas opções. Porém, na tua opção, pai, caberia apenas voltar. Nós sabemos que todo retorno exige arrependimento  para o perdão brotar e florescer o amor (do lado esquerdo do peito).


É verdade, pai! Durante cinco natais, esperei por você. Foram anos de ansiedade. Devo dizer que teus telefonemas não me emocionavam. Eram secos, frios, tua voz entrecortada não ecoava dentro de mim. Entenda: meu desejo era desligar e fazê-lo sofrer com a ausência que plantaste na vida daqueles que o amavam.


Ah, pai! Mas houve um dia em que você voltou, pois a cama em que dormias não era quente; e muito menos macia. Voltaste por que conhecias a força de um sentimento chamado compaixão.


Naquela mesa, no assento da cabeceira, avistei você. Um homem de corpo magro, abatido pela alta glicemia, as têmporas a exibir fios grisalhos. Sim, eles sinalizavam que o tempo constrói e reconstrói.


Não me recordo de nossas primeiras palavras. Quem sabe, o silêncio tenha sido um interlocutor. Hoje, na velhice que te ampara, percebo: você está aqui, com suas manias e rabugices, certezas e dúvidas. Estamos aqui, enlaçados na circunstância, que ainda não se cansou de nós.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Estou chegando

Por Nana Yamada




Será que estaremos preparados para suportar
toda aquela barreira?
Será que o nosso amor continua sendo forte? Ainda?
Aonde somos capazes de chegar? Juntos?
Aonde e quando estaremos nos amando novamente?
A distância quer destruir as lembranças
O pouco que me resta, sendo você, tudo pra mim.
Na ausência eu aprendi, na solidão eu compreendi
Que nenhuma volta é possível, mas apenas
as novas chances
Todo aquele sentimento antigo que carrego,
Carregarei para todo o sempre.
As dúvidas intermináveis vem com o vento
para me confortar
Tudo aquilo que me questiono
Vem à tona…
Mente que não para, coração que não bate
Procuro seus abraços e me perco nessas idas
Seus beijos que eu desejo
Não encontro em nenhuma boca
Assim, te procuro e não te acho
Mas eu sei que você está esperando por mim.
E assim, continue nessa busca,
Por que estou chegando…

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Suas páginas

Por Fabio Ramos




vai
macular


(o papel)


se
escrever


o
que
irrompe


no momento
de ira


(...)


ao imprimir


nas
folhas
em
branco


da existência


um
pecado


(...)


SE CUIDE


juízo
no
prelo


(é martelo)


que
absolve
ou
condena


SEU AUTOR

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Inverno

Por Denise Fernandes




Bordado no teu corpo

as marcas da saudade

não é o tempo do relógio

mas o do umbigo

sua própria ​seiva

pré-história.

Te quero viva

​feliz fonte de água pura

sol no auge do inverno.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

causos & amor

Por Ana Paula Perissé




                                              à sombra
                                              de 1´dúvida
                                              mora
                                              (abissal
                                              de mim)
                                              toda lua que cresce
                                              em ti.


                                              (as dúvidas
                                              são vários caminhos
                                              deixados
                                              à florada do mundo)


                                              saber de não ser
                                              como outrora
                                              1´acaso divino
                                              .
                                              .
                                              .
                                              casos descasados.


                                              (causos tantos)


                                              como eu queria
                                              1´girassol
                                              em canteiro
                                              a descobrir


                                              .
                                              .
                                              .
                                              juntos.

domingo, 6 de agosto de 2017

Estranheza

Por Oswaldo Antônio Begiato




Exausto de mim mesmo,
Lancei-me dentro do espelho
À procura de meu sentido.


Todas as minhas marcas,
Todas as minhas manchas
De nascença
Tinham sumido.


Eu era um estranho
À busca de meu princípio.


Havia em mim agora
A frieza de um azul incontável
E a profundidade de um oceano
Corrompido pela superfície do vidro.


Sem ostras retraídas.
Sem pérolas inatingíveis.
Estava eu dissecado.
Indefeso.
Encantado.


No mergulho que me deixei dar
No fundo do espelho de meus inversos,
Foi que me reconheci;
Bem quietinho, bem escondidinho,
Alojado em meu lado esquerdo.


O espelho tem esse vício encantador:
O de mostrar o sentido,
O de mostrar o princípio
Sempre pelo lado esquerdo.

sábado, 5 de agosto de 2017

Canoa

Por Meriam Lazaro




Mar aberto, rios remotos,
Passam por mim indivisos
Tantos rostos, personagens...
Pelo tempo, imprecisos.
Toco a bossa em sobe e desce.
Corda nova parafuso!
Terra firme, sem balanço,
Sacode o copo, o marujo.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Você nem percebeu

Por Nana Yamada




Te vejo se perdendo, no meio daquilo que destruiu.
Tudo se foi para sempre e você nem percebeu.
Você me fez arrepender de tê-lo amado.
Oh, você não sabe que destruiu tudo de melhor?
Tudo que você havia construído, desabou.
Não lamente mais, o tempo já passou.
Não chore mais, suas lágrimas não podem me dizer nada.
Não implore pelo meu amor. Amor que você perdeu.
Não sinta raiva, não deixe que a doença te domine.
Eu te pedi para não me perder de vista.
Eu te pedi para que não fosse.
Para não existir um fim.
Mas te vejo perdido no mundo, falando meu nome por aí.
Por que, nesse tempo todo, você não melhorou?
Não se capacitou?
Do que adiantam as palavras? Um amor que não existe?
Estou te apagando aos poucos, você deve sentir.
Meus pensamentos ainda vagam por aí.
Mas mudei o rumo e o sentido.
Não venha me dizer, não sou mais aquela garota.
Os anos passaram e você nem percebeu.
Não foi capaz de ser meu homem, pelas suas incertezas.
Do seu mundo orgulhoso, pequeno e perdido.
Abri todas as portas, que você fechou em segundos.
E, em segundos, tudo pode desaparecer.
Um dia lembrará de cada palavra dita no silêncio.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Um artesão

Por Fabio Ramos




levou horas


tentando descobrir
que música


havia


naquele
violão


em repouso


mas
a melodia
veio


(...)


foram
dias


na forja


do
ferro


ao unificar


partes
de
metal


(...)


um
fósforo


(em segundos)


faz
uma vela


suar


no
pires


conforme


vosso
desejo