domingo, 24 de junho de 2018

sábado, 23 de junho de 2018

Entrelinhas

Por Meriam Lazaro




Eu sonhara em ser poeta
Com a letra cor-de-rosa
Cadernetinha no bolso
E um dedinho de prosa
Só não sabia que assim
A palavra orgulhosa
Soprava flecha em flautim
Com boca misteriosa
Desbotada me perdi
Procurando sentimentos
Papel de seda carmim
Ponto agulha ferimentos
Hoje eu já não quero mais
Poesia prêmio e sonho
No silêncio busco a paz
Entrelinhas que componho

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Andarilho

Por Mayanna Velame




Caminho pelo mundo
com meus pés descalços.
Dedilho suas formas,
durmo em continentes.
O mundo andarilha
entre meus corredores.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Mais que especial

Por Nana Yamada




É tão lindo ver todo esse amor
Poder sentir que tudo isso é muito mais que real
Da maneira que se importa com cada palavra
Observa cada vírgula do meu ser
Sua voz sempre me acalma
Adoro ouvir suas criações sendo tocadas
Nunca imaginei que todo esse carinho
Poderia nascer numa única vez
Sendo eu mesma quando é você
Você sendo mais que um ser incrível
Teu sorriso é meu raio de sol
Me cura desse mundo tão sujo
É tão incrível saber
Que existe um ser como você
Na minha vida… Nesse planeta...
Mesmo estando do outro lado do mundo
Somos próximos, presentes
Obrigada por ser quem você é
Você é mais que especial na minha vida
Meu grande amigo, meu parceiro, meu companheiro
Estarei sempre com você!
Permita-me estar sempre em você!

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Estupro da audição

Por Fabio Ramos




botou
as
roupas


na máquina?


(...)


basta
ligar


para notar:


é
uma
lavadora


(a caminho da lua)


que
nos
lembra


do
Rambo


e da
sua
metralhadora


(...)


fazendo
um


belo par


com
o ventilador


da
sala
de estar


(...)


o
motor


do
moedor
de


cana
é


fichinha


(...)


a
britadeira
que
abre


o concreto é
música


(...)


pois


ao
pensar


em decibéis


nenhum
ruído
se
iguala


a um opala


sem
escapamento

terça-feira, 19 de junho de 2018

Nice

Por Denise Fernandes




Falei pra ele: "Meu nome é Denise". Ele entendeu "Nice". Estava passando mal, com a pressão baixa, e parei no comércio (de água de coco gelada e açaí) em que ele trabalha. Não tinham máquina de cartão na época. Ele aceitou eu ficar devendo. Mesmo sendo uma desconhecida, ele cuidou de mim com carinho. O comércio fazia parte do meu trajeto diário e, quase sempre, ele me acenava: "Oi, Nice". Assim, eu e o Ronaldo começamos nossa amizade de anos.

Agora o estabelecimento já aceita cartão, como todos nós  sujeitos à ciranda financeira de exploração e taxas. Um dia desses, fui tomar uma água de coco lá. Estávamos a sós. Ele sentou perto de mim e falou sobre Noé e Jesus. Fez um verdadeiro discurso bíblico. Depois falou sobre os cinco filhos dele. Comentei que meu irmão havia morrido o ano passado, vítima de um câncer no cérebro. O Ronaldo disse que notou a minha energia um pouco baixa. "Como assim?", pensei. Andava eu cabisbaixa pela rua? Sorria menos? Fiquei surpresa.

Ronaldo me aconselhou a meditar. Disse que vinte minutos seriam suficientes. Eu podia escolher meditar no parque, no meu quarto. Disse que ele mesmo meditava, que era importante.

Cada vez que fecho os olhos para meditar, me lembro do meu irmão, dos meus familiares queridos e do Ronaldo. Imagino ele me observando passar, e vendo minha energia baixar. O que ele viu? A lágrima escondida? O grito que ainda não dei? Quando meu irmão morreu, não chorei... Eu gritei. Gritei muito. Gritei além de Deus. Bati com as mãos no chão, e gritei.

Muitas vezes, quando medito, cai uma pequena lágrima. Uma lágrima que tem vergonha de chorar. Talvez, se tivesse chorado na hora da perda, minha energia não estivesse tão baixa. De vez em quando apareço lá, para ouvir o Ronaldo filosofar (e me chamar de Nice).

segunda-feira, 18 de junho de 2018

origamático

Por Ana Paula Perissé




                              tal como uma dobra
                              do tempo
                              transforma minha medula
                              em diagramas
                              aleatórios
                              insumos de vida


                              o enigma de uma dobra
                              de simples papel
                              que se vira
                              recria
                              em chama (- ME!)
                              à ponta da lança
                              que clama
                              por um dragão
                              que ME ostenta...
                              sustenta
                              em vida.


                              ( a cada partícula de ar que respiro
                              uma gotícula de cada insano desejo TEU
                              me refaz em nova forma)


                              e a cada dobra de uma vida
                              infinitesimais de nós
                              em toda parte                               
                              se recria.                              

domingo, 17 de junho de 2018

O poeta em si

Por Oswaldo Antônio Begiato




Enquanto vela
Me velas.
Enquanto chama
Me chamas.


Defunto obtuso de mim mesmo,
Lacro minha boca cheia de perguntas
Com um silêncio quase eterno.


Há, contudo, um vulcão dentro de mim
Que se torna eruptivo quando tua boca
Toca levianamente este meu silêncio.


E teus beijos impregnados de fogo,
Sob as luzes da vela quase impassível
Vindas da chama quase efêmera,
Ressuscitam os versos que não posso enterrar.