segunda-feira, 19 de novembro de 2018

idas.

Por Ana Paula Perissé




                                      imenso
                                      de ti
                                      há mar.


                                      intenso de nós,
                                      desvios de cais.


                                      ou montanhas sem cor
                                      desnudadas
                                      em versos
                                      palatáveis


                                      ( paralelos aos que já se foram)


                                      incensado
                                      às vezes
                                      que, por confins banais,
                                      não te senti.


                                      (foi-te)

domingo, 18 de novembro de 2018

sábado, 17 de novembro de 2018

Silêncio do poeta

Por Meriam Lazaro




Silencia o poeta
sempre que a palavra cala.
Silêncio, faca de pedra,
que crava
na alma e fala.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Caneta

Por Mayanna Velame




Uma caneta,
nas mãos
de um poeta,
capta vida, ortografa sangue
e cicatriza páginas...

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Tenho tanto para te contar

Por Nana Yamada




Pegue na minha mão
Sente e ouça toda minha história
Tenho tanto o que contar
Mostrar os caminhos que percorri
Até chegar ao teu encontro


Se for necessário
Enxugue as minhas lágrimas
E venha fazer parte da minha história
Vamos contemplar juntos
O brilho das estrelas


Se quiser conhecer
Te convido pra ficar
Vou te mostrar todas as coisas
Que o mundo reservou
Para nós…

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Terra no buraco

Por Fabio Ramos




seu
avô


só parou


de
avisar


quando morreu:


no
chão
do sítio


(ainda resgatarão)


um baú
que


NO PASSADO


foi
enterrado


pelo
seu
bisavô


(...)


fique
ciente


que o mesmo


inclui
ouro


e pérolas


(...)


seu
pai


(desdenhava)


sendo
assim


o tesouro é vosso


meu
neto


(...)


então pegou


na
enxada


e revirou o solo


como
TATU


num domingo


e
nada
localizou


(...)


outro
dia


(no meio do sonho)


veio
sua
indagação:


onde malocaram a bufunfa
meu velho?


(...)


o
nono
respondeu


com apenas um sorriso

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Cordel good

Por Denise Fernandes




Nasci em terras do Brasil

O duro de ser brasileiro

é morar numa colônia

o tempo inteiro

ter a Amazônia

e um litoral faceiro



Ter a língua portuguesa

e preferir o estrangeiro

comprar em Miami

inglês é mais ligeiro

chamar animal de pet

man o homem solteiro



Que chatice ser servo

caça humilhada

se a gente pensa

que vale nada

é covardia a batalha

perdida a espada



No campo e na cidade

se come cheese-salada

a farinha o feijão

valem quase nada

o povo tem saudade

de comida importada



Americano é melhor

em quase tudo

diz a lenda e o Trump

Brasil sem estudo

é trampolim e suor

lucro e escudo



Explorar a terra

destruir a cultura

semear a guerra

dizer que é feiura

nosso jeito e palavra

a falta de estrutura



Life style diz

a nova propaganda

e quem é aprendiz

descobre que manda

o político infeliz

carroça que não anda



Meu amor não é love

é força, raiz e sorte

Não é só quando chove

é mistério e morte

sem estrangeiro é norte

carinho que se move



Meu lar não é home

é pedra, pau e barro

copiar é ser sem nome

ter inveja do carro

da music do dólar

do loiro (oh yes) do sarro



Quero ser minha gramática

bandeira meu som

na minha terra inteira

levar a todos meu tom

sem comparar sem peneira

viver sempre o que é bom!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

sem muito de quase nada

Por Ana Paula Perissé




                  falta-me de tudo
                  1`falta imensa
                  e quando o dia se esvai
                  faltam-me todas as imagens que me compunham
                  daquela taça ancestral
                  faltam-me estradas
                  de curvas abissais e silêncios de nuvens despencadas
                  nas costas de tuas montanhas
                  falta-me a maciez do limo úmido
                  acariciando com exímia aridez meus poros semi-despertos
                  de um desejo
                  desvarido de si


                  vai é faltando destino
                  a cada deslize de ponteiros