sábado, 19 de setembro de 2020

Travessia de flores

Por Meriam Lazaro




É primavera,
Relevo e estação,
Motivo e semente,
Travessia de flores,
Despertar das gentes...
As aves são Marias,
Os dias, guardiões
De sabedoria e sonhos.
O pólen se dissipa e germina,
Na terra há sulcos,
Assoviam brotos e poesia.
Há uma Sofia,
Que mora contente,
Em meio ao nada
Faz versos sabiamente.
É primavera,
A anunciação
De sombras que dançam
Na esperança da luz,
Aniversário
Da Flor em botão,
O Anjo que abraça
E quer por destino
A imensidão!

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Como eu poderia

Por Nana Yamada




Como eu poderia te transformar numa poesia?
Como eu poderia te fazer enxergar
Tudo aquilo que não sei dizer em palavras,
Tudo aquilo que eu não consigo te mostrar?


Como eu poderia evitar de não me apaixonar ao ver o encanto da lua?
Como eu poderia evitar de um sentimento não nascer,
Se o encantamento chegou antes de você chegar?
Se tudo já tinha acontecido antes mesmo de começar?


Como eu poderia não pensar?
Como eu poderia não sentir,
Se você ocupa o pensamento
De cada segundo do meu dia?


Como eu poderia imaginar que seria vítima?

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Cautela

Por Fabio Ramos




você prefere


a boa
ou
a má


notícia primeiro?


(...)


se for
pra
remoer


melhor é não saber de
notícia nenhuma


(...)


se for
pra
saborear


melhor é degustar a notícia
o quanto antes


(...)


se for
pra
destruir


*a porta é logo ali

terça-feira, 15 de setembro de 2020

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

ensaios

Por Ana Paula Perissé




teus sonhos me erguem
em ensaios
teus devaneios,
em tua prisioneira
..só
queria avançar meu olhar em ti
feroz
e fazer morar tua imagem refletida
cá dentro do eterno
de 1´outra orla. pois com minha alma
feito carga,
quanto mais ardor
mais espanto
de luar
sem sol
.
..apócrifa.

domingo, 13 de setembro de 2020

Palavras mudas

Por Oswaldo Antônio Begiato




Quando você vier
apontar minhas lástimas
traga gestos calmos,
traga gestos claros,
traga gestos castos.


Quando você vier
preparar minhas cinzas
traga um quilate de ouro,
traga um ramo de mirra,
traga um frasco de incenso.


Quando você vier
encomendar minhas crenças
lembre-se de que sou
torto,
empertigado em urna de ouro;
louco,
enfeitado com folhas caducas de mirra;
poeta,
ungido com fragmentos de incenso.


Quando você vier
retalhar minha existência
traga o silêncio dos tortos,
traga o silêncio dos loucos,
traga o silêncio dos poetas.


Quando você vier
lacrar o túmulo de minha carne insepulta,
traga palavras mudas e nada mais,
pois meus versos necessitam de silêncio.

sábado, 12 de setembro de 2020

Castiçais

Por Meriam Lazaro




Quero ser o amor sem dono
Sem que me olvide jamais.
Da vida, colher o pomo
E da paixão, temporais.


Quero mergulhar no sono
Das regiões abissais,
Ressuscitar o profano
De donzelas e missais.


Quero o sonho e catedrais,
A queda de muro alpino,
Que sobressaiam os vitrais
E o luminar divino.


Quero o impossível rumo
Das bandeiras e gerais,
Para o despertar soturno
De um tempo que se esvai.


Quero as cinzas deste inverno
Guardadas em castiçais,
Onde em plenilúnio eterno
Em meus braços tu estarás.