domingo, 19 de agosto de 2018

sábado, 18 de agosto de 2018

Sina

Por Meriam Lazaro




Gira o mundo e aqui eu fico
preso à parede em retrato.
Na face oculta me perco,
palhaço em riso nefasto.
Ó silenciosa agonia!
Qualquer curva, qualquer dia,
a amarga sina eu passo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Português amoroso LXXIII

Por Mayanna Velame




O condor sobrevoa
tuas estrofes...
É a palavra liberdade que retumba,
declamada, entre as correntes
do Navio Negreiro.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ponta negra

Por Nana Yamada




Ponta mais bela
Quantas lembranças
Quantos momentos
Quantas histórias
Quantas pessoas
Quantos mergulhos
Quantas despedidas
Quantos risos e choros...
Quantas coisas compartilhei
Sol que me aqueceu o ano inteiro
Nunca existiu um dia ruim
Vendo aquelas ondas
Vendo aquelas estrelas
Reggae e parcerias
Na companhia daquele copo gelado
Fumaças pelo ar
Old Five era o lugar
Encontro e reencontro
Dia e noite
Com ou sem vento
Caminhadas até a via costeira
A brisa mais perfeita
Sopro de Deus
Ah, como era fácil se perder
No meio da tranquilidade
Que hoje ficou tão distante...

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Os anticorpos

Por Fabio Ramos




(tampou o ralo)


e
deixou
a torneira pingar:


você
não


APRENDE


(...)


caindo
na


besteira


de
prover:


você não seca


(...)


teu
leite


como novalgina:


você
não
receita


(...)


e
chove


e assim goteja:


você
não


é vacina


mas
que tal
inocular agora?

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Invisibilidade

Por Denise Fernandes




Cinco horas da manhã. O médico me procurou e disse que o estado do meu pai era grave. Comecei a chorar no corredor do hospital. Cinco e meia da manhã, o choro me derrubando, senti uma vontade absurda de tomar café. Estava de pijama. Conversei com a enfermeira. Ela me disse que tudo bem eu ir até a padaria de pijama. Não era um pijama bonito, era um que parece ter voltado de uma guerra.

A padaria estava cheia. Entrei chorando, vestindo o meu pijama, e ninguém pareceu notar. Nenhum olhar, nenhuma palavra. Se eu soubesse, já teria saído de pijama antes.

Invisível, como meu pai agora, corroída de saudades. Na vida, ficou uma solidão maior sem a presença de meu pai, solidão que eu nem sei explicar.

Café consolo no frio da cidade que me abraça. O cheiro do meu pai, sua risada, e a estranha sensação que não o perdi. Quando a morte levou meu pai, levou a mim também. Ficamos os dois invisíveis.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

a terceira margem

Por Ana Paula Perissé




                                        a cada feitura de 1`linha,
                                        angústia que labuta
                                        transpor algo de valor
                                        talvez,
                                        tão próximo à ternura
                                        de dizer
                                        não por vaidade
                                        mas sim
                                        por devoção.


                                        (DOLOR)


                                        a cada frase,
                                        a vontade súbita de romper
                                        com o não sabido
                                        e trazer à baila
                                        um bailado só
                                        suave
                                        e de facto


                                        1 significante e 1/2
                                        de tremor.

domingo, 12 de agosto de 2018

Sereia

Por Oswaldo Antônio Begiato




Canta-me!


Se me cantares
prometo,
com as mais ternas palavras
que eu puder recolher
no poço dos
desejos,
jurar-te amor eterno.


Apenas
canta-me,
porque encantado
já estou.

sábado, 11 de agosto de 2018

Transe

Por Meriam Lazaro




Na corda do violino
o beijo pra multidão.
Trás da orelha, a rosa embevecida.
Acorda menino!
É tempo de Aparecida.
Germina o bem, ópio da avenida.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Mistério mais doce

Por Nana Yamada




De todas as poesias
Que eu escrevi
De todas as lembranças
Que eu registrei
Só restaram palavras sem sentimentos
Nada mais faz parte do que vivo
Somente daquilo que sou
Daquilo que me tornei
Até o dia em que nos cruzamos
E percebi que tudo já havia começado
Antes mesmo
De saber seu nome
Antes mesmo
De ver seu sorriso
Todas as histórias se encerraram
E iniciou uma nova
Sendo você o ator principal
Da história mais
Misteriosa
Da história mais esperada
Me encontrei nos seus passos
Nas palavras que não foram ditas
Nesse ar de mistério
Mais doce
Me achei em você...

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Labaredas

Por Fabio Ramos




um isqueiro


para
acender


o
teu
cigarro


nesse quarto


(...)


um
cinzeiro


para recolher


as
guimbas


que se multiplicam


(...)


um
bombeiro


é suficiente para


liquidar o
fogo


dentro dela?

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O sentido da vida

Por Cesar Manieri*



Nas últimas semanas, tomei contato com uma nova realidade. Meu médico me pediu pra fazer, junto com os exames de rotina, alguns outros diferentes do usual. Ele me explicou que era importante homens da minha idade pesquisar mais sobre a saúde. Eu fiquei apreensivo e ele disse friamente que deveria mesmo ficar assim, mas não com medo, pois ele já havia salvado vidas por descobrir doenças graves e silenciosas em homens com mais de 50 anos. Isso me deixou realmente apreensivo. Bem, todos os dias recebemos notícias de que a expectativa de vida do brasileiro está aumentando. Isso deve ser verdade, pois minha mãe está com 83 e leva uma vida extremamente ativa e saudável, apenas com algumas dores típicas de senhoras idosas. Espero ter herdado essa força vital que ela tem.


Eu ainda me sinto um jovem senhor (afirmo que estou com a saúde em ordem). Pelo menos, me sinto assim por dentro e procuro deixar a ansiedade que esta fase da vida causa meio de lado. Mas os sinais do tempo sobre meu corpo estão por aqui. Eles estão a todo momento me alertando para a inexorável finitude da vida. Às vezes penso que estou enfartando, mas logo percebo, feliz, que são apenas gases. Mesmo assim, não esmoreço. Aos 54 anos de idade, já fiz uma pós-graduação e um curso de fotografia, aos 55 terminei um curso técnico e estou em vias de terminar uma nova graduação e, quem sabe, concluir um programa de mestrado. Acabei de ganhar uma bolsa de iniciação científica de uma universidade aqui de São Paulo para realizar uma pesquisa em Educação. Dou aulas e espero conseguir um cargo de professor em alguma faculdade ou escola.


Acontece que, para o mercado de trabalho, depois dos 50 anos somos considerados velhos e, depois dos 60, imprestáveis. A vida é assim. Quando somos jovens, imortais. Quando somos velhos, sucata. Se a expectativa de vida está aumentando, ou nos reinventamos, ou teremos um exército de idosos inundando o sistema de saúde estatal. Seremos aquele gado velho que fica ruminando sem parar a grama rala do pasto.


Percebi isso ontem quando fui levar meus filhos para fazer exames de sangue de rotina. Fomos a um laboratório confortável do convênio, onde nos atenderam muito bem e de forma rápida e eficiente. Sorte a minha por possuir um convênio médico. Graças a Deus. Depois de ganharmos um desjejum grátis, fomos até um posto de saúde estatal vacinar um do meninos. Lá, vi muitos idosos esperando sentados em cadeiras com um olhar desalentador, clamando por atendimento. Muitos estavam ali havia muito tempo, tremendo de fome. Não arredavam o pé daquele lugar fétido. Estavam resilientes demais para desistirem da empreitada de serem atendidos por um médico cubano. Fiquei neste lugar por uma hora, para descobrir que a tal vacina estava em falta. Graças a Deus.


Envelhecer em um país socialista como o nosso é um risco muito alto. Veja, no mundo perfeito dos socialistas, não existe velhos, nem doenças. Não existe crianças, nem bebês. Apenas jovens dinâmicos e descolados, fumando maconha em um mundo hedonista perfeitinho.


Se não temos empregos para todos, muito menos para os mais anosos. Empresários querem os jovens dinâmicos maconheiros super experientes, formados nas universidades federais pelos seus professores revolucionários. Na verdade querem esses caras que aceitam tudo e nada ao mesmo tempo.


E se o empresário tivesse um pensamento diferente? Ele iria ver que esses profissionais seniors com mais de 50 podem agregar conhecimento adquirido por vários anos. Bom, isso seria verdade se vivêssemos em um país capitalista. Mas não vivemos. O que homens com mais de 50 anos precisam é de uma oportunidade, coisa que o socialismo não oferece.


Empresários honestos, neste cenário, pensam apenas em sobreviver. Pensam em vencer o peso do Estado socialista em suas costas. Pensam em diminuir custos. Homens com mais de 50 são mais comprometidos, mas custam muito caro. Não aceitam calados determinadas tolices de seus pares. E, principalmente, ficam doentes.


Um pai de um aluno me perguntou por que eu resolvera mudar de carreira profissional aos 52 anos? "Loucura!" ele me disse. "É mais fácil esperar a aposentadoria", ele completou. É, pode ser. Afinal, nesta fase da vida, a relatividade do tempo faz todo o sentido. A correnteza do nosso rio da vida é mais veloz perto da cachoeira. Eu disse a ele que eu pensei em mudar depois que havia descoberto o sentido da vida. Disse que, quando somos jovens, esperamos o mundo nos dar tudo que queremos e precisamos. Disse que descobri que quando somos jovens, somos tolos. E só os tolos esperam algo deste mundo. O tempo me deu um pouco mais de sabedoria para entender que estamos aqui apenas para nos doar. Estamos aqui para dar ao mundo o que ele verdadeiramente precisa  e não o contrário. É como uma frase que meu irmão mais novo disse, antes de morrer tão jovem: "As pessoas precisam de amor. O mundo precisa de muito amor". Quer maior sentido para sua vida que esse? E você achando que era construir uma carreira bem sucedida em uma multinacional.

*É engenheiro, músico, empresário, professor e
especialista em educação matemática.
Também é diretor da escola Integro.
Escreve em seu blog Na Metade do Caminho.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

teresópolis21

Por Ana Paula Perissé




                homem da areia do tempo
                não me deixe dormir!
                por tiras de estradas sinuosas
                (estou pronta demais para seguir)
                o swing claudicante veio até cá,
                e de suas lágrimas cansadas de tecer
                malas inseguras
                desaparecem com meu som
                de arfar voz de vento
                nua


                das montanhas que não vejo
                mais
                a mulher que você não pôde amar
                some
                some cada vez
                até virar areia spiralada
                de twist de vento
                velho


                ( sim, tive minha parte, mas a estrada só ruiu, por dentro )
                e ela diminui suas curvas e não deseja
                .
                ser mulher de pedra,
                anymore

domingo, 5 de agosto de 2018

sábado, 4 de agosto de 2018

Velha letra

Por Meriam Lazaro




Nas teclas da velha máquina havia mais que dizer.
Cada letra, bailarina, vermelho e negro esquecer.
A fita, escrita fina, o meu querer desdenhava...


No palco, tela da vida, enquanto ao amor cantava,
Já no chão, baixa cortina, quis o aplauso que negava.
Caducou a velha máquina do papel de escrever.


No teclado de agora não há suor, nem querer...
Qualquer pedra conta história muito melhor que você!

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Português amoroso LXXI

Por Mayanna Velame




Tomou
doses e mais doses
de palavras ultrarromânticas.
E o jovem,
acadêmico de letras,
embriagou-se ao ler Noite na Taverna.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Chega chegando

Por Nana Yamada




Quando você chega
Chega chegando
Trazendo uma paz
Para minha alma
Sinto-me abraçada
Pela tua bondade
Que me enche
De amor por ti
Mesmo longe
Te sinto tão em mim
Como se a distância
Nunca tivesse existido
Quando é você
Tudo tem motivos
De continuar existindo
Com muita cor e amor...

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Desarranjo

Por Fabio Ramos




o sambeiro


com
pinta


de pudim


tem
cara


de trafiqueiro


e deve
ser
um macumbeiro


(...)


o roquista


com
pinta


de viciado


tem
fama


de satanista


e deve
ser


um masoquista


(...)


ao som
do
FUCK


as mimimistas


não
lavarão


e nem passarão