sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Português amoroso LXXVII

Por Mayanna Velame




Um dia, percorrendo o agreste baiano,
perguntei para Tieta:
 Quem foi teu grande amado, mulher?
Então, ela me respondeu:
 O Jorge, oxi!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Minhas loucuras

Por Nana Yamada




Eu sou louca com razão.
Minhas loucuras me dão a certeza que procuro.
Minhas loucuras me ensinaram
O quanto é necessário fazer loucuras.
Tudo tem limite, menos as minhas loucuras... de amor.


Se o amor me domina, junto com a loucura, o que mais posso fazer?
Das minhas loucuras, só eu mesma para entender...

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Língua pendurada

Por Fabio Ramos




isso é um
puto


cachorrinho


RASGA
bundo


que espera a


moto
IR


para
começar a
latir


(...)


o quase dono


vem
dali


(e o chorinho)


torna-se
grito


(...)


até


fixar
a coleira


demanda esforço:


haja
pressa


e animação


(...)


vai
no colo


(ameaçando a todos)


e desce
na
esquina


(...)


o negão


caga
mole


no portão


da
velha


e ainda mija


pelos
muros


do quarteirão


(...)


em
casa


bebe água


no
tapete


sempre emborca


e ensaia
um


sorriso


(...)


é
THOR


sem o trovão


com
as
quatro


patas de cão

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Flor

Por Denise Fernandes




Linda flor do amor

ela tem a força da lua

e um sorriso que é luta

ela tem a esperança da chuva

e um abraço de criança

ela é minha filha e do sol

ela tem cabelos de vento

e quando fica triste

também fico.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

sem pouso

Por Ana Paula Perissé




                                          à beira d´uma varanda
                                          de chão em ruínas
                                          a vida passa
                                          com pressa
                                          e o quê deixa
                                          em seu rastro
                                          vem-me em volúpia
                                          imóvel


                                          já sem as lágrimas
                                          ainda em flor.


                                          (ainda
                                          porvires)


                                          e as janelas
                                          já sem pouso
                                          sorriem para lado nenhum.


                                          ( entre-mundos
                                          vivo
                                          sem uma saber da outra)

domingo, 16 de setembro de 2018

sábado, 15 de setembro de 2018

Nosso amor

Por Meriam Lazaro




Nosso amor de ontem
Eu arrumo em lembranças...
No olhar o fogo brejeiro
E o sorriso de criança.
O beijo de corpo inteiro,
Lugar que a paixão alcança.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Você que apareceu

Por Nana Yamada




Honestamente não esperava
Que eu pudesse sentir o amor...
Eu não estava procurando por nada
Até você aparecer...


Vivia uma vida sem achar saída
Eu corria e corria, e voltava para o mesmo lugar...
Quanto mais fugia,
Mais ficava presa onde
Eu já não suportava mais estar...


Para poder sair da minha realidade
Eu sonhava...
Sonhava em ter uma vida diferente...
Diferente da minha realidade...
Realidade que eu criava...
Criava tudo o que eu desejava...
E desse desejo você apareceu...


Apareceu e transformou...
Transformou a minha vida...
Vida que eu já tinha desistido...
Mas você me deu motivo para continuar...
Continuar a viver apaixonada...
Apaixonada por você...


Você é o meu motivo...
Motivo para estar aqui...
Aqui do outro lado do mundo...
Mundo que gira em torno de você...


Você você você que me deixa assim...
Assim tão perdida...
Perdida porque te encontrei...
Me encontrei em você...
Você que apareceu em mim...

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Amor encantado

Por Fabio Ramos




o vinil


na
vitrola


gira sem parar


(...)


a voz
da


cantora


o
arrepia


em várias faixas


do
lado A


(...)


porém


num
trecho


(do lado B)


uma
tragédia:


o
LP
pulou


e a cantora


no
meio


da frase empacou:


o
meu
amor é...


o meu amor é...


o
meu
amor é...


(...)


ele
procura


entre as repetições


encaixar
um
sentido


na
sentença:


O MEU AMOR É...


aquilo que
não
tem


mais jeito


(...)


O
MEU
AMOR É...


uma
rosa


no parapeito


(...)


O MEU
AMOR


É...


te enlouquecer
na cama


(...)


O MEU AMOR É...


estar
junto


de quem se ama

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O mundo

Por Denise Fernandes




Não confio no mundo espesso

cheio de miséria e traição.

O que pode a alma

diante do destino soprado pelo mundo

cansaço abandono pensamento que desespera.

O mundo nos prende a ele mesmo

nos engole

não quero confiar no mundo.

Melhor confiar na aranha do Himalaia

que espera seu alimento no vento.

Confio na semente na terra no sabiá

na primavera que se repete

atada a outros planetas.

Confio na solidão, no amor sem limites

que não pertence a esse mundo.

Confio no passado onde a ilusão morreu.

Confio em você, em mim

e nas palavras que nos abrigam

do Mundo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

desaparições

Por Ana Paula Perissé




                                        desaparecer somente e
                                        quando
                                        colisão do acaso te levar
                                        em voo duo.


                                        deste teu casulo
                                        procuro colo. o chão.
                                        aquilo que foi dito
                                        ao pé de ouvido
                                        infame.


                                        desconhecido por ora e
                                        ainda
                                        puro desejo de ser pequena
                                        e caber-te
                                        quente


                                        viralizada que só
                                        em teus orifícios de fuga e
                                        de dizer voos
                                        .
                                        .
                                        desaparições

domingo, 9 de setembro de 2018

sábado, 8 de setembro de 2018

Amor de brinquedo

Por Meriam Lazaro




Bela bailarina
Guarda na caixinha
De veludo o anel


Já o soldadinho
Foi buscar pra ela
A lua no céu


Eles se amaram
Sem fazer segredo
Com fascinação


Mas o tempo passa
E o amor de brinquedo
Do céu foi ao chão

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Era uma vez

Por Mayanna Velame




Assim começa essa crônica, talvez perdida no tempo ou espaço de uma nação deveras desnorteada: era uma vez um país tropical, de um povo heroico. O brado retumbante. Era uma vez uma nação dita gigante pela própria natureza que, aos poucos, tornou-se minúscula diante das cifras da corrupção.


Era uma vez um lugar de índios e negros. Todos escravizados pela ambição e presunção dos homens. Era uma vez uma república polarizada, repleta de endeusamentos; daqueles que desdenham da força de um povo (amiúde vítima de escárnio).


Era uma vez a pátria amada, que prefere celebrar o estalo de um gatilho à mansidão das páginas de um livro. Era uma vez um conto de fadas com bruxas soltas e aterrorizantes  destruidoras de sonhos infantis.


Era uma vez, a nitidez do cinismo. A bala perdida que encontra um estudante a caminho da escola. Era uma vez, a comitiva de ratos; roendo os sabores e a utopia dos jovens. Era uma vez a decadência da população que rasteja. Que busca o abrigo de quem só pode oferecer frio e egoísmo.


Caminhamos como retirantes, famintos e sedentos. Falta-nos tudo: amor, gentileza, compreensão, verdade, alegria. Esmorecemos na ausência de leitura, na ausência da cura, na ausência da própria história.


Essa crônica exalta nossa ignorância e hostilidade. Aplaudimos a estupidez e prepotência dos homens de toga. Teu Brasil desce a rampa do Planalto, pronto a colidir com sua omissão.


Não temos mais o cântico. Nosso sabiá perdeu seu gorjeio, nossos bosques estão sendo desmatados e nossos amores já não possuem mais vida.


Não temos rostos. Somos apenas sombras e resquícios. Um vento soturno nos sopra para longe. Nosso presente é rascunho imperfeito, escrito em canetas de sangue. O futuro segue nebuloso, inapto, enquanto o passado imerge das cinzas, em cada assoalho do museu em chamas.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Vem comigo

Por Nana Yamada




Não queria sentir
Tudo isso sozinha,
Queria que você também
Pudesse sentir o melhor sentimento
Que eu posso compartilhar


Venha sentir junto comigo,
Pertinho de mim poderá sentir
As batidas que um coração apaixonado
Pode dar...


Pega na minha mão,
Vou te mostrar o quão longe
Podemos ir juntos.
Caminharemos
Rumo à felicidade...


Meu benzinho...
Repare nos apelidos
Construídos no ar,
E que levaremos juntos...


Em nossas bagagens,
Nossas bobagens.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Eu também quero acreditar

Por Fabio Ramos




você anotou


a placa
da


(espaçonave)


que
o atropelou?


(...)


um ET


na
estrada


sem documento?


e com
IPVA


em atraso?


puta
merda


(...)


policiais e militares


chegaram
até


Varginha


no
encalço
do
alienígena


(e comeram poeira)


(...)


intrigados
pela
trama


Mulder e Scully


vieram
ao
Brasil


em
busca


DA VERDADE


(...)


Badan
Palhares


foi interrogado


pelo
agente


e lá pelas tantas


ele disse
que


Mulder


era
muito
Estranho


(...)


a médica ruiva


por sua
vez


debochou


do
parceiro


(...)


o
sigilo
da operação


ruiu
com


a manchete estampada


na primeira
página
do


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