domingo, 30 de junho de 2019

sábado, 29 de junho de 2019

Eu tenho medo

Por Meriam Lazaro




Eu tenho medo
que o medo me pare,
do começo ao ataque
que o peito não mais dispare.
Eu tenho medo
do medo de errar,
que a pena me falhe
vencida por não mais tentar.
Eu tenho medo
do medo das gentes,
corações cansados,
a fala dos descontentes.
De todos os medos,
maior é aquele
em que na noite da alma
me encontre sem Ele
para me amparar.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Devaneio literário

Por Mayanna Velame




Hoje acordei me sentindo como aqueles versos, da segunda geração romântica: com uma vontade de morrer (por amor). Mais que isso, é a sensação de escrever sobre a folha em branco. Aquilo que atormenta o descontentamento do existir.


Ou isto ou aquilo. E meu espírito se esvai na efemeridade da vida; tão prescrita nos poemas de Cecília Meireles. É verdade... Hoje estou gauche como Drummond, a saber que o mundo é vasto, mas o coração segue encolhido dentro do peito.


Se pudesse, eu daria um tempo e pediria a Manuel Bandeira uma passagem para Pasárgada. Nem que fosse por algumas horas, só para ser amiga do rei. Minha existência seria uma aventura a ser contemplada.


Aqui não sou feliz. Todavia, se algum dia, conversar com Emília sobre filosofia, no Sítio do Pica-Pau Amarelo, tudo teria valido a pena. Até mesmo essa melancolia que carrego.


Nesse ritmo que me encontro, não sei bem o que resta: ir para Platiplanto e cavalgar nos cavalinhos coloridos, mágicos e saltitantes? Combater os Capadócios, com força e audácia de criança?


Entre a rima e a prosa, a vida nos redige. Somos folhas em branco, grafadas, paulatinamente, pelos amores que nos escolhem e depois deixam saudades. Do travessão, tento construir uma ponte, que me guie em diálogos nunca ditos. Das minhas surpresas e emoções, espeto uma exclamação no peito  socorrido pelas interjeições.


Meu devaneio é sereno, mas também sabe ser rústico, como as reticências que insisto em escrever nos discursos. Se disfarço, em meu delírio, é porque todo poeta é um fingidor. E eu simulo mundos para criar heróis, personagens lunáticos, mocinhas e vilões inesquecíveis.


No final, somos todos livros. E vagos. Estamos prontos para sermos redigidos, com as últimas letras da Via-Láctea.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Essa música

Por Nana Yamada




Feche os olhos
Escute essa música
Que toca a alma
Consegue ouvir o que
Cada instrumento
Quer dizer?
Consegue entender
O que é voar
Tão livremente?
Pegue em minha mão
Vou te levar comigo
Solte-se e venha
Permita que o som te leve
Feche os olhos
Consegue sentir essa sensação?
Toque-me como se toca essa melodia
Recite-me enquanto transbordo
Com todo o sentimento
Que essa música me faz ter
Quero-te mais perto
Enquanto viajo nesse ritmo…

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Sem véus

Por Fabio Ramos




são como são:


as
pedras


AS TAREFAS


e
as
tarifas


(...)


eram como eram:


as
metas


OS MENTORES


as
cifras


e
os
fatores


(...)


serão como serão:


os
dois


(OS FRUTOS)


os
risos


e
os
caminhos

terça-feira, 25 de junho de 2019

Leão

Por Denise Fernandes




O sol. Nossa essência de Vida, luz e calor, centro e radiação. O querer, a Vontade. Tudo que nos anima do lado de dentro. Somos o que queremos.

A identidade, o ego. O que vemos como nós mesmos, estando além. O coração, com seu ritmo solar, que irradia energia para todo o corpo. Nossa imagem no espelho. O que faz de cada humano um ser único e insubstituível.

A criatividade, que tem trazido alegria para a humanidade. As crianças, força e brincadeira. A criança interior, que guardamos adultos. O lazer, onde nos revelamos. O ator e o teatro, sua magia de representar a vida. Tudo aquilo que somos.

O espírito invisível, eterno e absoluto. A iluminação. O conhecimento de si mesmo. A consciência. O amor consciente, quando sabemos que amamos, sentindo o calor do amor. A liderança. O poder de cada um para criar a realidade. O presente, esse tempo que nos permite ser e criar.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

soturno libidinal

Por Ana Paula Perissé




                                      Nocturnos de mim
                                      sombras de sonhos
                                      pulsados
                                      revelações longínquas
                                      esconderijo de libido
                                      a espreitar-se
                                      em cada fresta
                                      de célula bipartida
                                      dualidades


                                      dormem pescoços
                                      acordam molares
                                      Silêncio!
                                      cada noite é uma pauta musical
                                      orquestrada
                                      por teu desejo
                                      ora sóbrio
                                      ora enterrado
                                      no esquife
                                      onde jaz tua vítima
                                      ainda morna.

domingo, 23 de junho de 2019

Assombramento

Por Oswaldo Antônio Begiato




Quando te vejo
Encho a boca de cadeados
E os olhos de chaves,
Aprisiono-me nos encantamentos
E morro encharcado
De horizontes.

sábado, 22 de junho de 2019

Poema ao vento

Por Meriam Lazaro




O mesmo vento da história,
que aragem, fúria ou moinho,
moveu na palha de agora,
viu carro de boi e pergaminho.
É hoje o vento que sopra,
as folhas em redemoinho,
negro, a evocar memórias.
Da vida, viu outros caminhos...

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Cardápio

Por Mayanna Velame




Selecionou,
como entrada,
uma porção
de beijos...
A felicidade lhe
parecia ser digesta.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Caminhada

Por Nana Yamada




Percebi que cada dia
Essa estrada vai se estreitando
Nela encontrei algumas pedras
Aonde criei uma muralha que hoje me guia
Construí barreiras através dos tombos
O tempo vai se encurtando
Conforme as passagens e as paragens
Nessa jornada o trem não para
Quem chegou, ficou
Quem partiu, perdeu
Minha caminhada até você
Custe o que custar
Já estou no caminho
E não há mais saída
Meu destino tem seu nome
Então é pra lá que vou…

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Latente

Por Fabio Ramos




o caçula


não
sabia


(e o do meio)


que é
um


servo


da
poesia


(inconsciente)


não
se
esquivou:


rodoviária é um aeroporto
de ônibus


e
a
careca


do
tio


FABIO é uma


pista
de
pouso


(e decolagem)

terça-feira, 18 de junho de 2019

Câncer

Por Denise Fernandes




A água que envolve o feto. A água das lágrimas. A placenta e o cordão umbilical. Nossa ligação com os ancestrais. A bagagem de cada família, essa que carregamos sempre em nossas vidas.

A memória e a nostalgia, que trazem o passado para o presente. Os sonhos que sonhamos acordados, mistura do real e da alma. A alma, com suas emoções. As nossas reações no cotidiano. O choro com motivo. A manha, com que buscamos atenção. A angústia que se transforma em queixa.

O sentimento de família. O apego ao passado. A história que é conhecida nossa, nosso repertório. A sensação de lar. Nossa casa com tudo que tem de abrigo, de aconchego. Os símbolos com que registramos o passado. Os museus, que guardam parte da História, escrevendo o que já se foi.

O ambiente e o clima, com toda a mistura de subjetivo e de objetivo que trazem. O feto e o bebê, os cuidados que dedicamos a eles. O leite. Os seios. O útero e os ovários. A capacidade de reprodução. O estômago e a digestão, onde processamos os alimentos, nossas dores e vontades.

A emoção que nos move, sem que sejamos totalmente conscientes dela.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

ciclos

Por Ana Paula Perissé




                                          a cada gole
                                          que sorvo
                                          desta vida
                                          é inicio
                                          ora é fim.
                                          toadas renovadas
                                          ao passarem
                                          em nervuras:
                                          som
                                          fúria em pessoas
                                          lascos pendentes
                                          no tempo de cada
                                          ente


                                          (só ou perdido de si
                                          há lacuna
                                          qualquer coisa de imenso
                                          plano, raso ou fundante
                                          a cada passagem plena
                                          de estrelas mundanas)

domingo, 16 de junho de 2019

sábado, 15 de junho de 2019

Ao pôr-do-sol

Por Meriam Lazaro




Nuvens porosas contra o céu azul
desenhadas com lápis grosso
de letra parada.
Outras nuvens ralas,
de escritura fina,
seguem com o minuano em disparada.
Camadas de céu,
frestas de sol,
coral do entardecer, que cedo vem.
Pinheiros despertam
após a chuva de pedras
que embranqueceu
o parapeito da janela e o jardim.
Asas renovadas fazem festa!
Seres tão vivos
nos galhos da paineira inda desnuda.
Em algum lugar ao longe,
nesta cinzenta primavera,
aviões imitam passarinhos.
Quisera, rosa meditativa, poder voar assim.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Páginas da mente

Por Nana Yamada




Como é fácil
E simples
Encantar-se por você
Nem sei do brilho em seus olhos
Mas sei que me fascina mesmo assim
Cada palavra,
Cada expressão,
Cada tema,
Cada rotina...
Tudo está sendo
Tão bom,
Tão novo,
E tão único...
Ainda não consegui achar
Palavras para descrever
Tudo que estou sentindo,
Tudo que estou vivendo,
Tudo que estou vendo...
Você é um pedaço do sonho
Que está se realizando
E às vezes tenho dúvidas
Se realmente está acontecendo...
Ou serão mais rabiscos
Nas páginas da mente?
Ou será outra história a contar? Ou a viver?

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Ponteiros

Por Fabio Ramos




toda vez
que


OLHA


as
horas


são
oito
e dezoito:


no
relógio


do pulso esquerdo


e
no
relógio


(do bolso direito)


(...)


Celso
ouviu:


não
me
ABISCOITO!


agora
continua


sendo oito e dezoito


(...)


mas
veja:


também


são
doze


(para oito e trinta)


ou
ainda


42 minutos


antes
das
9


(...)


ou
até


contando


nos
dedos


(2520 segundos)


para
dar


9 horas


nos
relógios


QUE ESTÃO SEM BATERIA

terça-feira, 11 de junho de 2019

Gêmeos

Por Denise Fernandes




O encanto do pensamento, trazendo várias possibilidades, abrindo horizontes. A palavra e seus vários significados. A comunicação, o diálogo interno e a conversa. A conversa com motivo. E a conversa pra passar o tempo, ocupar vazios.

O entendimento. A razão que nos faz transcender a realidade, criar pontes. A curiosidade, essa qualidade que nos move  transformando o desconhecido em desafio. O mistério da respiração em nosso corpo, possibilitando as trocas e a vida.

A ambiguidade. O duplo sentido. A capacidade de conciliar o que é diferente e desarmônico através da inteligência. A inteligência que nos permite o conhecimento. O vento que abre portas, que refresca, carrega o tédio e as nuvens.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

bailado de pupilas

Por Ana Paula Perissé




                                            e a cada vez que fecho
                                            meus olhos
                                            tua ausência
                                            de pupila baila
                                            e estremece
                                            aquilo que ainda
                                            resta-me
                                            de mim


                                            e a cada vez
                                            que cerras teus olhos
                                            não os vejo
                                            mas morro e renasço
                                            dentro de ti


                                            vida
                                            que segue
                                            existindo


                                            sem querências


                                            a-pulsional
                                            modeoff

domingo, 9 de junho de 2019

Finados

Por Oswaldo Antônio Begiato




Ninguém deveria ter seus parafusos
E porcas
E neurônios soltos
Por conta de estradas ruins
Que a vida constrói para nossa viagem.


Ninguém deveria perder nada;
Nem cabelos,
Nem olhos,
Nem a vista,
Nem o juízo.


Ninguém deveria adoecer.
Ninguém deveria sofrer a dor do envelhecimento.


E a morte deveria ser
Como se fosse a composição de nosso sonho final.
Serena como o amanhecer na primavera.

sábado, 8 de junho de 2019

Ainda é tempo

Por Meriam Lazaro




Ainda é tempo
de nos voltarmos para o outro,
sairmos do nosso umbigo
para semear do futuro o fruto.


Ainda é tempo
de vivermos à imagem e perfeição
pela qual fomos criados,
e ao amarmos a nós mesmos,
amarmos de igual modo o nosso irmão.


Ainda é tempo
de sermos guiados pela inteligência,
criativa semelhança com o Pai,
deixando de lado o medo, e com consciência
e cuidado frearmos os nossos ais.


Ainda é tempo
nesta Sodoma moderna, de não perecermos,
se aliados ao Pai, nos sentirmos seus Filhos Amados,
do universo saciados, não precisando dilapidar,
no celeiro da natureza, tudo tudo o que há.


E assim, ainda é tempo,
de o homem despertar,
sabendo a todo momento,
que ele passa, mas o Amor não passará.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Justamente hoje

Por Nana Yamada




Que eu não estava preparada
Que eu não estava à espera
Dei de frente com você
Fiquei tão surpresa
Que já não me lembro mais
Se foi real ou se sonhei
Por alguns segundos
Parecia ser uma eternidade
Enquanto não me lembro
De nenhuma palavra
Não sei dizer se
Meu coração bateu rápido
Ou se parou
Só me lembro que o inesperado
Me pegou e me anestesiou
Tão lentamente
Aconteceu rapidamente...

quarta-feira, 5 de junho de 2019

2 casos

Por Fabio Ramos




se você


não
tem


troco pra 100


quem
lhe


VENDERÁ


uma
caixa


de fósforos?


(...)


e se
não
tem


troco pra 50


quem
lhe


CONCEDE


um
pão


que seja?


(...)


e se
não
tem


troco pra 20


quem
lhe


PROVERÁ


um
gole


do cafezinho?


(...)


em
oposição


A QUALQUER LÓGICA


está
esse
gajo


que compra
fiado


e
ainda
pede troco