sábado, 31 de agosto de 2019

Contradições

Por Meriam Lazaro




São noites de São João,
"Estrelas em chão de giz".
Num colorido balão
Pedaços do meu país.


São sonhos em construção
Com pesadelos tão gris,
Mentira e devastação...
Pedaços do meu país.


São leis sem obrigação,
Um "mac lanche feliz".
Trenzinho na contramão,
Pedaços do meu país.


São sérias contradições
De saltimbancos gentis,
Grandeza de uma nação.
Pedaços do meu país.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

O encontro

Por Mayanna Velame




No decurso
da solidão dominical,
ela ouviu
alguns ruídos
debaixo da escada.
Em seguida, um miado.
A sua companhia
agora estava ali.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

31 de agosto

Por Nana Yamada




Último dia do melhor mês
Amanhã já é o início
Do começo das mudanças:
As folhas começam a cair
O vento começa a soprar
As janelas se fecham
O céu cinzento
Que faz parte de uma rotina
Bem longa sem fim
Tempo em tempo
Aquele desejo de sentir
Aquele calor que
Não cheguei a sentir
Verão que eu mal cheguei a ter
Tudo passou e eu nada vi…

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Eles vão
(de qualquer jeito)

Por Fabio Ramos




vai ter com a
morena
um


(particular)


que
não


pode adiar


(...)


onde
duas


PALAVRAS


serão
tão


inoportunas


(...)


assim
que
estiver


com a LÍNGUA
na dela


não
vai
conseguir


falar


(e seu particular)
a público


virá


na
língua
do invejoso

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Pegadinhas do conhecimento próprio

Por Maurício Perez



Se pedem para darmos uma nota para nós mesmos, daremos 9,5 porque nos consideramos pessoas muito humildes. Parece brincadeira, mas não é. Nos processos de seleção das empresas, ante a pergunta "Quais são os seus defeitos?", costumam sair as seguintes pérolas: sou perfeccionista; penso demais nos outros; exijo-me muito... Só os outros são egoístas, arrogantes, fracos, invejosos... O problema é que nós somos os outros.


Se não nos conhecemos, repetiremos erros atrás de erros. Além disso, os defeitos pioram com o passar do tempo, se não os conhecemos e os combatemos. Há idosos rabugentos, cheios de manias. Não eram assim quando eram jovens. Os defeitos nos afastam dos demais, e são a fonte dos fracassos dos nossos projetos, da nossa carreira profissional. Somos sempre vítimas dos nossos próprios defeitos. No primeiro romance de Machado de Assis, "A Ressurreição", encontramos um homem que tem um nítido defeito: não consegue confiar nos outros. Esse defeito destrói o seu noivado e o leva a terminar seus dias sozinho.


Não é fácil, nem simples, se conhecer. Vamos colocar aqui algumas pegadinhas.


Preguiça. Quem é muito ocupado e atarefado, pensa que está livre deste defeito. Esquece que toda preguiça é seletiva. No trabalho, sempre se dá um jeito de engavetar as tarefas mais chatas ou difíceis, ainda que necessárias. Suas queixas de cansaço, também são seletivas: cansado para trabalhar na cozinha, mas disposto para jogar futebol ou sair à noite para dançar.


Ira. Todo nervosinho pensa que é justo e que suas broncas são necessárias e adequadas. "Só assim tomam vergonha e aprendem". Isso raramente acontece. A maior parte das vezes, a pessoa se irrita porque o mundo e as pessoas não são como queria. E se, ainda por cima, mexem com a nossa imagem, aí é que ficamos alterados e soltamos todos os venenos.


Egoísmo. Quando uma mulher diz que quer ser mãe, porque "tem muito amor para dar", cuidado! Quase sempre isso significa que quer um bebê que a faça se sentir amada. Basta a criaturinha crescer um pouco e ignorá-la, para todo esse amor secar. O rapaz que está perdidamente apaixonado pela loirinha, está apenas gostando do prazer que a belezoca lhe proporciona com sua companhia, afeto ou... algo mais.


Inveja. É curioso ver como esse defeito sumiu da praça. Parece que desapareceu junto com a varíola. Na verdade, como a inveja é feia e desagradável, costuma se disfarçar atrás de supostas boas ações. Boa parte das críticas dirigidas às pessoas que fazem algo, trabalham, são premiadas e felizes, estão permeadas de inveja. Há algo mais insuportável do que ver um colega ser promovido, enquanto ficamos a ver navios? Certamente que foi uma injustiça e ele só conseguiu a promoção porque é puxa-saco. E não falemos do Facebook, onde só aparecem amigos viajando, curtindo à vida, satisfeitos e sorridentes, enquanto estamos limpando o banheiro de casa...


Humildade. Os tímidos e educados pensam que são humildes. Os pobres também. Esquecem de usar o termômetro da verdadeira humildade: a reação diante de uma humilhação. Notamos então que o tímido, o educado e o pobre são capazes de respostas bem altivas e agressivas. E ainda se justificam: "Não tenho sangue de barata, tenho muita personalidade".


Visto de fora, o ser humano é muito engraçado.

É autor do blog Correio Chegou.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

mudança 40

Por Ana Paula Perissé




                                        quero é dirigir
                                        nas pontes que cruzam
                                        ainda mais
                                        a minha vida


                                        dar carona aos meus amores
                                        ver o brilho das ondas
                                        misturadas
                                        com o motor do meu corpo


                                        e quem quiser
                                        que se cale
                                        ou fale mesmo assim
                                        nem quero saber
                                        da maldade
                                        ou da ausência de plena dor
                                        de quem não se arrisca
                                        a viver


                                        dar adeus
                                        a cada migalha
                                        do que não vale a pena
                                        porque o sabor do diferente
                                        me vem de mansinho
                                        ganhar-me a cada noite
                                        sem dizer por quê

domingo, 25 de agosto de 2019

sábado, 24 de agosto de 2019

Minhas emoções

Por Meriam Lazaro




tão cruas...
São minhas
as tuas emoções.
Têm o fascínio da lua,
a face da contradição.
Não as nego por três vezes,
só contemplo traição,
se eu perdoo com despeito
é por nunca ter razão.
Minhas emoções
tão nuas!
São tuas
as minhas emoções...
Gata perdida na rua,
calçada de pedra sabão.
Uma lágrima desliza,
conto estrelas da ilusão,
desato este nó no peito
só pra chamar tua atenção.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Três Corações

Por Mayanna Velame




Mineiro tem mesmo
o coração do tamanho
de um trem.


E Minas é tão imensurável
quanto suas montanhas.
Que não basta apenas
ter um coração.


É preciso ter Três Corações,
para que toda essa
mineirice de ser
apite entre os trilhos
(da prosa de nossas vidas).

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Como consegues

Por Nana Yamada




Como consegues arrancar um sorriso de mim
quando menos espero?
Como consegues sempre ser esse doce encanto?
Como consegues me tocar, sem me tocar?
Como conseguiste tudo isso, sem eu perceber?

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Alerta vermelho

Por Fabio Ramos




ele
diz
que


acreditar


em
Deus


é estupidez


(...)


coisa
de


FANÁTICOS


(...)


ele
se
acha


(muito superior)


a
quem


dobra os joelhos


em
oração


(...)


e ele


no
auge
da sensatez


ruge
como


LEÃO ACUADO


quando
seu
ladrão


de estimação é condenado
à prisão:


e
ataca
(o próximo)


na
hora


e
a baba
ESCORRE DA BOCA


(...)


daí
para


acreditar


em
duende


(chupacabra e cartomante)


é um
pulo


(...)


e
claro:
FANÁTICOS SÃO


os
outros

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Peixes

Por Denise Fernandes




Sensibilidade a tudo, e em todos os sentidos. A totalidade. O oceano universal. Os oceanos. O caos. A imaginação. A compaixão. A espiritualidade. A solidariedade. A fuga. A confusão.

A névoa e a neblina. O sono. Os pés. As alergias e as intoxicações. Nossa relação com o mar. A insatisfação. A união. A inspiração. A comunhão. A Música. A Química. A navegação.

Ajudar, e receber ajuda. A transcendência. A multidão. A humanidade. A loucura. A humildade. A caridade. O humor. O cristianismo. O Cristo.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

para o que me falta viver

Por Ana Paula Perissé




                                      tem alguma coisa
                                      que ainda não tem nome
                                      mas que existe
                                      tão grande
                                      nem nunca terá


                                      a incerteza de saber
                                      vibra na corda de cada cello
                                      encantado
                                      sobre os ombros
                                      de um músico da noite


                                      brilha cada vez mais
                                      ofuscado
                                      dentro de cada pedaço de pele
                                      que se assanha
                                      em encerrá-lo
                                      em mim


                                      e as sombras que carrego
                                      iluminam-se ao teu luar
                                      insano
                                      inominado
                                      em procura aflita
                                      acende
                                      a chama
                                      de uma clareira
                                      enluarada
                                      prateada e depressa
                                      atirada em cima
                                      de mim


                                      aflitar-se de tanto buscar!
                                      pois que venha, então
                                      para o resto dos meus dias

domingo, 18 de agosto de 2019

Cantiga de criança

Por Oswaldo Antônio Begiato




Se essa lua
Fosse minha
Eu mandava
Ladrilhar
Com ladrilhos
De Portugal
Só para
O meu amor passar...


Mas quem passou
Foi o dragão
E levou o meu amor

sábado, 17 de agosto de 2019

Coisa e tal

Por Meriam Lazaro




Vivo além dessa saudade
que você deixou-me um dia,
vago só pela cidade
que já foi minha alegria.
Porto Alegre dos casais
hoje é cama vazia,
esperança por metade
plena sombra luzidia.
Morre o sol lá no Guaíba,
guarda a tarde hibernal,
tomo da taça mais fria
com tristeza abissal.
Deu pra ti, minha euforia,
Beira-rio e geral,
passa glória e tristeza,
assunção e liberal.
Se não sinto mais magia
e nem pulo carnaval
é por não ter fantasia
de ser feliz coisa e tal.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Céu estrelado

Por Mayanna Velame


Imagem: Vincent van Gogh


Diziam que seria
astronauta:
namorava
as estrelas, o espaço...
Mas, não!
Ele apenas apreciava
a Noite Estrelada, de Van Gogh.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Nosso caso

Por Nana Yamada




Não sei explicar
Essa sensação
Que você me faz sentir
Sem eu saber
Como explicar
Tudo isso que vivemos
Ocultamente tão presente
Tão real na ilusão


Meus pés alcançam
O céu com o toque
Da tua pele
Com seu perfume
Que registra
Todos os momentos
Que depois nós
Comentamos e acrescentamos
Mais sentimentos


Nosso caso
Não se explica
E não se repete
Por ser tão unicamente
Esse caso
Tão misterioso
Que é tão nosso
Jeito de ser…

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Piedade

Por Fabio Ramos




e
no
barraco do


sem
noção


TEREZA ARAGÃO


TEREZA
ARAGÃO


(...)


e
você
escuta querendo


(ou não)


TEREZA
ARAGÃO


TEREZA ARAGÃO


(...)


no
fim
de semana


a
latinha
na
mão


TEREZA ARAGÃO


TEREZA
ARAGÃO


(...)


irrita


o
pai e


(também o irmão)


TEREZA
ARAGÃO


TEREZA ARAGÃO


(...)


o samba
é ouvido


até
no
Japão


TEREZA ARAGÃO


TEREZA
ARAGÃO


(...)


a morta estrebucha
dentro do
caixão


TEREZA
ARAGÃO


TEREZA ARAGÃO


(...)


chamar
um


(nove zero)


não
resolve
não


TEREZA ARAGÃO


TEREZA
ARAGÃO


(...)


depois


de
um
verso


entrou o refrão


TEREZA
ARAGÃO


TEREZA ARAGÃO


(...)


e tudo
de
novo


DO INÍCIO