domingo, 29 de novembro de 2020

Gosto

Por Oswaldo Antônio Begiato




Por que devo gostar das uvas?


Prefiro os charutos
feitos por dona Jandira
com as folhas verdes
da parreira.


Ela os colocava na marmita
todas as primeiras
segundas-feiras do mês.
Isso sim era
gosto bom!


As uvas deixo às raposas.

sábado, 28 de novembro de 2020

A rainha de copas

Por Meriam Lazaro




Quero cortar...
Quero cortar cabeças
E rolar histerias.
E dançar fantasias
No país da Alice,
Todas as maravilhas,
Coletivas e vazias.
Em lua (di)urna cheia,
Sem cabeça,
Eu sufrágio...
E na vermelhidão
De cornucópia,
Se tropeço,
Eu, copa, me acho!

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Relógio

Por Mayanna Velame




Passeio meus dedos, curtos e calejados,
entre os ponteiros do relógio.
Brinco de ser Deus por algumas horas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Pensar em você

Por Nana Yamada




Pensar em você me faz sair da realidade,
Realidade esta que você se afastou.
Ainda que exista a sua ausência,
Tu estás presente em mim.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Oração

Por Denise Fernandes




Ó Deusa mãe que a tudo rodeia. A vós me dirijo, ó mãe santíssima, mãe de todos e da própria luz. A vós imploro. A vós que somos nós. Vós que sois o puro sentimento, Terra e Ar, tempo e saudade. Vós que nos livra de todo sentimento, de todo arrependimento.

Semente primeira, fêmea e macho, plenitude e lágrima. Deusa presente no Todo, o Amor antes do Amor, silêncio e música. A flor presente sempre que me reencontro, o perdão que me faz renascer.

Ó Deusa mãe, mãe santíssima, por favor, me deixe beber da sua graça, ficar sempre em teu colo de alegria.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

originalis

Por Ana Paula Perissé




quero-te escrever
o quê ainda já foi escrito
nunca
do passado em espiral
para sempre


versos como notas
em quase
resquícios
de extravasos
de olhares e sentires


notas como prosas
musicadas
por teus olhos
tímidos
em flutuações verdes
vívidas
acordes dissonantes
línguas distantes
semelhantes
em mímeses
de ideias discordantes.


quero-te na dessemelhança
que nos une
o universo
no mistério
do Uno
em vários
tempos idos
devires
entrelaçados
da origem
de sermos
o desconhecido.

domingo, 22 de novembro de 2020

Seja qual flor

Por Oswaldo Antônio Begiato




A única coisa da terra que existe no céu é a música.
A única coisa do céu que existe na terra são as novidades.


Já se foi o tempo em que eu chegava da rua,
entrava em casa com as mãos cheias de cartas
e o coração vazio de razões.
Hoje entro com as mãos vazias de cartas
e o coração cheio de desesperanças.


Fazer o quê?
Quem nasceu com o pé redondo
tem que morrer com a boca verde.


Há na vida uma hora em que as pedras preciosas
tornam-se inúteis nos acostamentos do tempo.
(E pensar que já tive relógios com dezessete rubis).


Mas há sempre um tamanco de bom tamanho
para quem caminha a pé e sem muita fé
mas com muito amor para despedaçar por aí.


Queres que eu veja
com olhos isentos
tuas velhas veredas.


Verei.
Com calma, verei.
Com alma, verei.


Afinal é tão delicado ver passar mulheres
e seus vestidos rodados
e suas sandálias coloridas
e seus cabelos enfeitados com flores
e seus pensamentos nas asas do incompreensível.


O bom jardineiro sabe
que não se planta a haste de uma rosa
como se planta a haste da mandioca.


Bem, hoje vou me deitar cedo.
Amanhã preciso levantar cedo.
Já pensou se me amanheço com rugas
justo no dia em que as flores passarão por mim
no cabelo de Isabel?


Seja o que for,
Seja qual flor.

sábado, 21 de novembro de 2020

Lira

Por Meriam Lazaro




Filha da Terra do Sol,
Vejo Luz em tuas mãos.
Tens a praia por lençol
E a paz da solidão.


Traz o dia ao coração
Neste novo arrebol,
Filha da Terra do Sol,
Vejo Luz em tuas mãos.


Sigo ao mar por teu farol,
Vem do céu o teu clarão.
Guia o homem para Deus
E desfaz a escuridão.
Filha da Terra do Sol...

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Palavras de mãe

Por Nana Yamada




Palavras de mãe, palavras de Deus.
Seguirei suas palavras, mesmo que digam que é loucura.
Suas palavras sempre me confortam e me guiam na direção certa.
Nada eu seria sem suas palavras: palavras vividas, palavras verdadeiras.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Peça de museu

Por Fabio Ramos




levou
um


tombo


na
rua?


é umidade!


(...)


essa
dor


crônica


no
braço?


é umidade! (certamente)


(...)


e teu
rosto
cheio


de
rugas?


só pode ser umidade:


umidade
avançada!

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Querer

Por Denise Fernandes




São Paulo em novembro

tudo que me lembro

e sem sofrer relembro

mesmo sem querer

continuo a te querer.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

iconosfera imagética

Por Ana Paula Perissé




que são imagens?
senão células de vidas
mixers infinitesimais.
vida ad infinitum.
num suco originalis
.
com o Outro


(outras vidas em colisão)


expressões inexpressivas
impressões visões
poéticas conexões digitais
de plasma em corrente sanguínea


pregnância de infinitude
ao encontro do olhar
de 1´artista.
nosso olhar
na tela da alma do mundo


[lagartixa]


ainda há
vaticínio.
.
utopia com ecos da estética.
alguma estética com ecos utópicos.


[sem rima]


nada é de graça.
ainda há vida
em´tua partícula.

domingo, 15 de novembro de 2020

Idade

Por Oswaldo Antônio Begiato




Minha cadeira
quebrou de novo.
É a terceira vez
que se põe a quebrar
impiedosamente.


Penso que apesar de estar
definhando
ando pesado demais.
Ando pensando demais.


Será a idade?

sábado, 14 de novembro de 2020

A matemática do amor

Por Meriam Lazaro




Viemos na madrugada
Sem compromisso ou arrimo
Tal como quem não quer nada
Somamos números primos
Tal como quem não quer nada
Beijamos devagarzinho
Sendo a lua azulada
Razão e luz do caminho
Sendo a lua azulada
Cúmplice deste carinho
Nossas mãos apaixonadas
Unidade e desatino
Nossas mãos apaixonadas
Percorrem inteiro destino
Da pele toda estrelada
Nossa adição e fascínio.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Cartões postais

Por Mayanna Velame




Tornou-se um viajante.
Agora vivia distante.
Na ausência eminente,
ela aprendeu com ele
a geografia da longitude,
através do envio
de seus cartões postais.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Diga você...

Por Nana Yamada




Se eu voltar ao início, ainda é válido?
A nossa história poderia existir? Ou seria mais uma lenda a contar?
Permito-me voltar ao tempo em que acreditávamos nesse amor; que você deixou de alimentar e crer.
Estou aqui para mostrar que tudo é valido, e que a distância nunca significou nada.
Vim mostrar que nada é impossível quando encontramos o amor.
Ele não é enganoso como dizem... Se acreditar que é, nunca foi amor.
Simples assim, e você complica tudo por causa do orgulho que não consegue dominar.
O amor machuca. Reconheci o erro e vim, pois acredito numa segunda chance, num recomeço (de tudo aquilo que ainda não tentamos).
Arriscar é o meu verbo,
Larguei tudo só para chegar diante dos seus olhos e mostrar-lhe as coisas que você nunca viu.
Vim mostrar o que eu tenho de melhor, mas seus olhos tremem de medo e não aceitam a realidade.
Então, vou continuar vivendo um pouco mais esse momento - que, depois, já terá um outro sentido.
Diga você até quando eu posso sonhar...
Porque, quando despertar, vou acordar de um novo sonho...

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Turrão

Por Fabio Ramos




nesse trem só


tem
lugar


para um alguém:


você
sabe


muito bem


(...)


mais
além


da encosta


as
cores
mudam por
fora


e
se
jogar


do vagão jamais


será
uma
opção


queira você ou não


(...)


como
vai


suceder


ao
descer


na última estação?


(...)


somente
com


a
roupa
do
corpo


e nenhuma bagagem
na mão?


(...)


perguntas
nunca
vão


responder


se
você


prefere esquecer

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Sensível

Por Denise Fernandes





Rasgando a semente

Com saudade de orvalho

na lua nova tentarei

parar de andar correndo

atrás do meu próprio rabo

como uma cachorra



Como pode a dor superar

o amor que tudo contém

vou tentar parar de reclamar

diante do abismo

coração dizimado

pulsante de fé

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

vírus

Por Ana Paula Perissé




há muito tempo passo nas mesmas ruas
e a convivência me traz desassossego
no movimento que não me pertence
nos vírus que me fazem ser
ou desfazer
entram e saem
sem eu saber
constituem minhas células
brigam com elas


e eu sou um emaranhado
deles
sendo o que sou
deixando de ser


os carros passam,
passam sem sermos
ou sendo
passam
da mesma maneira
grandes ou pesados
simples ou caros
a fumaça desconfigura
paisagens outrora familiares


entram e saem
deslocam
transformam
sem que se saiba
o ínfimo elo de vida
nas pequenas micro coisas
que nos fazem
perambular
na mesma cidade de sempre
ou quase.


até quando?
sou um amontoado independente de mim.

domingo, 8 de novembro de 2020

Beijos

Por Oswaldo Antônio Begiato




Você vem cantando uma canção.
eu julgo ser uma antiga canção de amor
(você a canta sempre quando me entristeço).


Fala coisas e fala coisas e fala coisas...
mas eu não compreendo sua pronúncia.
É que você vem com a língua úmida
desesperadamente ávida por beijos.


Aí a beijo com minha boca sóbria
consumindo toda sua sofreguidão.
Devagar vou decifrando sua voz,
suas palavras brandas,
sua canção dando prazer aos sentidos...


Fala que me ama e que me ama e que me ama...


E eu a venero ainda mais por isso
e vou ficando com a língua úmida
e ávida...
...desesperadamente ávida
por beijos.


Desesperadamente ávida por seus beijos sagrados.

sábado, 7 de novembro de 2020

Vestida de azul

Por Meriam Lazaro




Com bela estampa miúda,
Azul e também amarela,
Veste-se a moça tão bela
De rimas doces e graúdas.


Sorriso alvo ela usa,
Escrita de paz a janela,
Com amor usa e abusa
De azul ternura que espelha.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

A queda

Por Mayanna Velame




Tentou equilibrar-se na mureta do jardim.
Caiu entre os espinhos da roseira.
Depois da queda, a sangria.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Preciso de Ti

Por Nana Yamada




Senhor,
Às vezes sinto que não sou tão forte assim para suportar.
Não sou forte o suficiente para me levantar sozinha.
Não sou sábia para compreender todas as coisas que acontecem.
Tem dias que acordo sem vontade de sorrir, e vou chorar até que possa ouvir a Tua voz me acalmar.
Tem dias que eu quero duvidar de mim mesma, mas jamais do meu Senhor.
Tem dias que me perco completamente no labirinto da minha mente e procuro por Ti, meu Salvador.
Senhor, me abençoa a cada amanhecer; agraciando-me com mais um dia de vida e de saúde.
Senhor,
Jamais feche vossos braços, pois é neles que se encontram a minha força.
Preciso que continue cuidando de mim, senão o mundo me pega.
Meu Pai,
Meu Deus,
Meu Salvador,
Meu Tudo...
Me dê um pouco de sabedoria para continuar aqui.
Estou quase desistindo de ouvir a voz do meu coração.
Senhor, tire toda essa angústia de dentro de mim.
Não quero e não posso mais carregá-la comigo.
Tire todo esse peso de mim, meu Senhor...
Não me abandone, pois eu preciso de Ti.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Diga a verdade

Por Fabio Ramos




uma
fita


adesiva


que
colou


nos pelos da


tua
perna


(...)


até conseguir


tirar
foi


um
martírio


(...)


que
tal


pensar


na
sessão
de


DEPILAÇÃO


da
tua


mulher?


(...)


é
um


(tormento tremendo)


pra


ficar lisinha


(...)


beleza
dói
e


custa caro


(...)


mas
se
ela


não raspar


o
buço


(as pernas e axilas)


ela
vira
urso


e
de


monstro peludo


em
casa


JÁ BASTA VOCÊ

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Orquídea

Por Denise Fernandes





Aceita, aceita tudo

digo pra mim mesma

encarar a vida de frente

catar as migalhas de amor

com a mesma intensidade

do amor doado



Beber a água da chuva

Sem mágoas

Ligar o rádio e

escutar além da música

a orquídea que nasceu.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

ciclotimia

Por Ana Paula Perissé




por vezes a eternidade
abala-se. / silencia-te
em múltiplos ruídos.
um ardor de sentido
1´começo.


por vezes
e sem rompimento
o tempo redime
os sonhos de teu sono.


suspire
em tecido agudo
teu desejo dormido. Faça-o vivo.
em meio ao caos.
.