terça-feira, 13 de outubro de 2020

Primavera pandêmica

Por Denise Fernandes




Às máscaras. E então, a cabeça vagueia. Começo a pensar em todos os sentidos de máscaras. A minha máscara. Depois de tantos meses, saio sem notar que estou sem máscara - e com aquela forte sensação que esqueço alguma coisa. Depois de alguns minutos na rua, me lembro: "E a máscara?".

Sorte que a minha bolsa é uma típica "bolsa de mulher" (e tem máscara limpinha me esperando, no bolso interno). Fora a minha sorte, que me parece magnífica nesse momento, encontro em mim um magnífico tormento. Encontro minhas sombras. Acordo assustada com os pesadelos.

Sol de primavera. A linda escada que fica ao lado do parque da Aclimação. Antes, ela permanecia vazia. Agora, está ocupada por adolescentes e casais com jeito de namoro.

Fora a certeza do cosmos e do vento, tudo é incerteza política, econômica e biológica. Também tem a certeza maior do infalível plano de Deus. E mesmo no apocalipse, o colo da Deusa. Deusa flor, semente e fruto. Deusa primavera.

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